Verme letal é encontrado em gado nos EUA e ameaça pecuária
País já enfrenta uma queda histórica do rebanho bovino, que está no menor nível em 75 anos
247 - A confirmação de um caso de parasita letal em um bezerro no sul do Texas reacendeu o alerta sanitário nos Estados Unidos em meio à queda histórica do rebanho bovino americano, que está no menor nível em 75 anos, relata o jornal O Globo.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que um animal de três semanas, no condado de Zavala, testou positivo para o verme-da-bicheira-do-novo-mundo, conhecido em inglês como “new world screwworm”. As larvas foram encontradas na região do umbigo do bezerro, em um caso inicialmente tratado como suspeito e confirmado na quarta-feira (3).
A doença é causada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax e é considerada uma das ameaças mais severas à pecuária. O parasita se instala em feridas de animais de sangue quente, podendo provocar lesões graves e levar bovinos à morte em poucos dias.
Autoridades tentam conter risco de disseminação
A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou a jornalistas que este é, até o momento, o único caso monitorado pela agência. Ela disse ainda que não há “motivos para acreditar” que a ocorrência leve ao estabelecimento da praga em território americano.
Como resposta, o USDA iniciou medidas de contenção em uma área de 20 quilômetros ao redor do foco detectado. O pacote inclui quarentenas, controle de movimentação de animais e reforço da vigilância sanitária. O governo americano também acelerou a liberação de moscas estéreis, estratégia usada para impedir a reprodução do parasita e limitar sua propagação.
Em comunicado, os presidentes das comissões de Agricultura do Senado e da Câmara, John Boozman e GT Thompson, afirmaram que o caso confirmado “não deve ser motivo para pânico, mas sim para a implementação completa da próxima fase da resposta coordenada pelo governo federal que o USDA vem planejando há meses”.
Setor de carne bovina já enfrenta pressão
A detecção do verme-da-bicheira ocorre em um momento especialmente delicado para a cadeia de carne bovina nos Estados Unidos. O país enfrenta forte redução do rebanho, o que já vinha pressionando frigoríficos e elevando os preços ao consumidor a patamares recordes.
A reação do mercado começou ainda na quarta-feira, quando circularam os primeiros relatos sobre o caso, antes da confirmação oficial. As ações da Tyson Foods recuaram 4,2% e fecharam no menor nível em cinco meses. Já os papéis da JBS NV atingiram o menor valor desde o início de suas negociações nos Estados Unidos, há cerca de um ano.
O avanço do parasita no México vinha sendo acompanhado com preocupação pelas autoridades americanas. Como parte das medidas preventivas, o USDA suspendeu as importações de gado vivo mexicano e construiu novas instalações para a dispersão de moscas estéreis. Ainda assim, os casos no México aceleraram recentemente. O foco mais próximo da fronteira com os Estados Unidos foi identificado em uma cabra a cerca de 40 quilômetros do território americano.
Suspensão de gado mexicano agrava escassez
A presença do verme-da-bicheira no México e a consequente interrupção do comércio de gado vivo intensificaram a escassez de animais disponíveis para os frigoríficos americanos. As empresas já vinham enfrentando margens comprimidas ao pagar preços mais altos por um volume menor de bovinos.
A redução da oferta também contribuiu para levar o preço da carne bovina a níveis recordes nos Estados Unidos. O cenário impõe mais pressão sobre a promessa do presidente Donald Trump de reduzir o custo dos alimentos.
A Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos afirmou que não prevê interrupções nas exportações americanas de carne bovina. A entidade informou, porém, que irá “monitorar cuidadosamente a situação para identificar qualquer ação de parceiros comerciais que possa interromper o comércio de carne”.
Último caso havia ocorrido em 2016
O verme-da-bicheira havia sido detectado pela última vez nos Estados Unidos em 2016, em cervos nas ilhas Florida Keys. Segundo o USDA, o parasita foi erradicado no início de 2017.
O episódio mais recente envolvendo bovinos infectados ocorreu em 1976. Naquele período, a infestação provocou perdas de até US$ 375 milhões para a economia do Texas, valor equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões, de acordo com a agência.
Risco para humanos é considerado baixo
Embora o risco para seres humanos seja baixo, os Estados Unidos confirmaram no ano passado um caso do parasita em uma pessoa que havia viajado à América Central.
No plano de contingência elaborado previamente, o USDA prevê restrições à entrada e saída de animais em áreas infestadas no caso de um surto localizado. Se a disseminação atingir vários condados, a resposta poderá incluir o uso de medicamentos veterinários com autorização emergencial já concedida pela agência reguladora americana.
Rollins afirmou que um avião seguia para o sul do Texas levando “grande parte desse estoque de tratamento”. Após a notícia, as ações da Elanco Animal Health, fabricante de um dos tratamentos citados, fecharam no maior nível em quase um mês na quarta-feira. Os papéis da Zoetis também registraram alta.



