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Após atacar a Venezuela, Trump diz que país sul-americano vai exportar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA

Envio pode chegar a 50 milhões de barris e envolve petróleo antes destinado à China

O presidente dos EUA, Donald Trump, (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - O governo da Venezuela concordou em enviar até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, em um acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito poucos dias após uma operação militar estadunidense em território venezuelano que resultou no sequestro e prisão do presidente Nicolás Maduro e na morte de ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos. Segundo Trump, o petróleo será vendido a preço de mercado, e o governo dos Estados Unidos ficará responsável por controlar os recursos obtidos com a operação. As informações são do G1.

Anúncio ocorre após operação militar 

De acordo com Donald Trump, o controle do dinheiro arrecadado com a venda do petróleo terá como objetivo garantir que os recursos sejam utilizados em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos. O presidente detalhou ainda como será feita a logística do transporte. O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos, afirmou.

Petróleo bloqueado será redirecionado Fontes citadas por agências internacionais indicam que o acordo prevê o redirecionamento de embarques que anteriormente tinham como destino a China. Desde dezembro, a Venezuela vinha acumulando milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los devido a um bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

O embargo fez parte da estratégia de pressão adotada por Washington, que acabou resultando na queda de Maduro. Com o novo acordo, esse petróleo parado deverá ser destinado às refinarias americanas.

Interesse estratégico dos Estados Unidos 

Logo após o sequestro de Maduro, Donald Trump declarou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano para a atuação de grandes empresas dos Estados Unidos. Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país, declarou.

As refinarias localizadas na Costa do Golfo dos Estados Unidos têm capacidade para processar o petróleo pesado da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, essas refinarias importavam cerca de 500 mil barris por dia do país sul-americano.

Produção limitada apesar das grandes reservas 

Apesar de concentrar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia. O volume é considerado baixo em razão das sanções internacionais e da precariedade da infraestrutura do setor.

Segundo dados da Energy Information Administration, órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos, o país possui cerca de 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, superando grandes produtores como Arábia Saudita e Irã. No entanto, grande parte desse petróleo é extrapesado, o que exige tecnologia avançada e investimentos elevados para a extração.

De acordo com a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia, a produção venezuelana atingiu um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970, mas despencou nas décadas seguintes, chegando a 665 mil barris diários em 2021. No ano passado, houve uma leve recuperação, com a produção retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, ainda representando menos de 1% da produção global de petróleo.

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