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Argentina oficializa saída da Organização Mundial da Saúde

Decisão do governo Milei rompe vínculo com organização global

OMS (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - A Argentina oficializou na terça-feira (17) sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), formalizando a decisão por meio de uma comunicação enviada ao secretário-geral do organismo internacional, conforme informou o governo do país. A medida marca o desfecho de um processo iniciado há cerca de um ano pelo presidente Javier Milei, segundo o portal C5N.

O anúncio foi confirmado pelo chanceler Pablo Quirno, que destacou nas redes sociais que o país seguirá atuando no cenário internacional de saúde, ainda que fora da OMS. “Nosso país continuará promovendo a cooperação internacional em saúde por meio de acordos bilaterais e espaços regionais”, afirmou o ministro.

A retirada implica que a Argentina deixará de participar de programas, fundos e fóruns técnicos coordenados pela organização. Apesar disso, o país continuará integrando a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), mantendo vínculos com iniciativas regionais no setor.

Quirno explicou que a decisão está em conformidade com o que estabelece a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. Segundo ele, a nova estratégia de cooperação internacional buscará preservar integralmente a soberania nacional e a capacidade de decisão do país em políticas sanitárias.

O governo argentino já vinha sinalizando essa mudança desde maio de 2025, quando o Ministério de Capital Humano divulgou um comunicado defendendo uma revisão estrutural do sistema de saúde nacional. O documento apontava a necessidade de reorganizar e atualizar estruturas consideradas defasadas, além de aumentar a transparência e a supervisão.

Na ocasião, o governo também reiterou críticas à atuação da OMS. Segundo o comunicado oficial, “hoje a evidência indica que as diretrizes da OMS não funcionam, porque não estão baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que se recusam a revisar seus próprios erros”. O texto acrescenta que o organismo teria ampliado suas competências de forma indevida, o que, na visão das autoridades argentinas, comprometeria a soberania sanitária dos países-membros.

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