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Brasil supera EUA em ranking global de democracias

EUA recuam a nível democrático dos anos 1960, enquanto América Latina, segunda região mais democrática, tem o Brasil como principal destaque

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Presidente dos EUA, Donald Trump)

247 - O Brasil aparece à frente dos Estados Unidos em um dos principais rankings globais de democracia, segundo o Democracy Report 2026, elaborado pelo instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo. O estudo indica que o país sul-americano figura entre as democracias eleitorais, enquanto os EUA perderam seu status histórico de democracia liberal após mais de meio século.

De acordo com o relatório do V-Dem, que analisa dados de 2025, o rebaixamento norte-americano ocorre em meio a um processo de deterioração institucional. O documento destaca que o país passou a ser classificado como democracia eleitoral, o que o coloca em uma posição inferior no ranking global em comparação a democracias consideradas mais consolidadas ou em recuperação, como o Brasil .

Brasil avança entre democracias eleitorais

O levantamento classifica o Brasil como uma democracia eleitoral, categoria que reúne países com eleições regulares e competitivas, ainda que com desafios institucionais. O relatório também aponta que o país está entre os casos de recuperação democrática, após reverter um período recente de deterioração institucional.

Entre os países analisados, o Brasil aparece ao lado de outras nações que mantêm sistemas democráticos funcionais, como Canadá e Reino Unido — este último também impactado por tendências de enfraquecimento institucional. Já os Estados Unidos, embora ainda realizem eleições competitivas, perderam características fundamentais de uma democracia liberal, como equilíbrio entre os poderes e garantias amplas de direitos civis.

Declínio democrático nos Estados Unidos

O estudo atribui a queda dos EUA a um processo acelerado de concentração de poder e erosão de instituições democráticas. Segundo o relatório, sob a presidência de Donald Trump, o país registrou “o declínio mais dramático da sua história recente”, com impactos diretos sobre o Estado de Direito, a liberdade de expressão e os mecanismos de controle institucional .

Ainda conforme o documento, a democracia norte-americana recuou a níveis comparáveis aos da década de 1960, com deterioração significativa em áreas como direitos civis e independência dos poderes. Apesar disso, os processos eleitorais seguem funcionando, o que mantém o país na categoria de democracia eleitoral.

Cenário global de retrocesso democrático

O relatório do V-Dem aponta que a crise democrática não se restringe aos Estados Unidos. Globalmente, o nível médio de democracia voltou a patamares de 1978, indicando a perda de avanços conquistados nas últimas décadas .

Atualmente, há mais autocracias (92) do que democracias (87) no mundo, e cerca de 74% da população global vive sob regimes autoritários. Apenas 7% dos habitantes do planeta estão em democracias liberais, o menor índice em mais de 50 anos.

Nesse contexto, a América Latina mantém posição relevante. A região é apontada como a segunda mais democrática do mundo, atrás apenas da Europa Ocidental e América do Norte, embora também enfrente sinais de deterioração em alguns países.

Brasil em destaque na América Latina

No cenário regional, o Brasil figura entre as principais democracias eleitorais, ao lado de países como Argentina, Colômbia e Chile. O relatório indica que a reversão de tendências autoritárias recentes contribuiu para melhorar sua posição relativa no ranking global.

Ao mesmo tempo, o documento alerta que a democracia enfrenta desafios persistentes no mundo inteiro, com avanço da autocra­tização inclusive em países historicamente estáveis. A trajetória brasileira, nesse contexto, é apresentada como um dos exemplos de recuperação em meio a um cenário internacional marcado por retrocessos.

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