Irã acusa Milei de ultrapassar "linha vermelha" após chamar o país de "inimigo"
Irã acusa Milei de arrastar a Argentina para o “eixo americano-sionista” e alimentar um “projeto de iranofobia”
247 - O governo do Irã criticou duramente o presidente da Argentina, Javier Milei, após declarações feitas durante um evento na Yeshiva University, em Nova York, nas quais o mandatário classificou o regime iraniano como inimigo do país sul-americano. A reação veio por meio de um editorial publicado no jornal Tehran Times, um dos principais veículos internacionais do país, que acusou Milei de ter ultrapassado uma “linha vermelha” ao denunciar o suposto envolvimento iraniano em atentados terroristas.
No texto, assinado pelo analista Saleh Abidi Maleki e intitulado “Milei, Quo Vadis?”, o regime iraniano sustenta que o governo argentino estaria alinhado ao que chama de “eixo americano-sionista” e acusa o presidente de integrar um “projeto de iranofobia”. O editorial afirma ainda que a postura de Milei não refletiria os interesses nacionais da Argentina, mas sim pressões externas.
A publicação também surge em um momento de forte escalada de tensões no Oriente Médio, após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos. Nesse contexto, o texto adverte que o Irã “não pode permanecer indiferente às posições hostis do atual governo argentino” e sugere que o país deve elaborar “uma resposta proporcional a essa inimizade”.
As críticas têm como origem o discurso feito por Milei em 9 de março, quando relembrou dois atentados terroristas ocorridos na Argentina — contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994 — e defendeu que o Irã seja considerado um inimigo do país. O ataque à AMIA deixou 85 mortos e é um dos episódios mais graves da história argentina.
O editorial iraniano contesta essas declarações e nega qualquer participação do regime no atentado de 1994, apesar de investigações da Justiça argentina, ao longo de décadas, terem apontado a responsabilidade de altos funcionários iranianos pelo ataque.
Em um dos trechos mais contundentes, o texto acusa Milei de ter “transformado a Argentina no Israel da América Latina” e sugere que o país estaria sendo utilizado como base de operações contra o Irã. Também menciona a suposta participação de empresas argentinas em atividades de espionagem ou em ações relacionadas ao atual conflito no Oriente Médio.
O episódio ocorre em um momento delicado nas relações diplomáticas entre os dois países. Atualmente, a Argentina não mantém uma embaixada ativa em Teerã, após a decisão do governo de fechar temporariamente sua sede diante das tensões regionais.


