Milei diz ser “o presidente mais sionista do mundo” e chama Irã de inimigo
Em discurso em Nova York, presidente argentino anuncia aliança estratégica com EUA e Israel e rompe com tradição de neutralidade da Argentina
247 - O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou em Nova York que seu governo mantém uma “aliança estratégica” com os Estados Unidos e Israel e classificou o Irã como um país “inimigo”, concretizando uma mudança significativa na política externa argentina. As declarações foram feitas durante uma palestra na Universidade Yeshiva, na qual o líder argentino também se descreveu como “o presidente mais sionista do mundo”.
De acordo com reportagem da Telesur, Milei apresentou sua visão geopolítica alinhada às estratégias de Washington e de Tel Aviv para o Oriente Médio, rompendo com a postura histórica de neutralidade adotada por governos argentinos em conflitos internacionais.
Durante o discurso, o presidente afirmou que seu governo está comprometido com uma cooperação estreita com os Estados Unidos e Israel. Ao se definir como “o presidente mais sionista do mundo”, Milei reforçou sua posição ideológica e destacou sua proximidade com essas duas potências.
O chefe de Estado argentino também elogiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuindo a ele o êxito em conter o poderio militar do Irã. Na avaliação de Milei, o cenário geopolítico atual envolve uma disputa estratégica mais ampla liderada por Washington.
Em sua fala, o mandatário rejeitou a interpretação de que os conflitos no Oriente Médio estejam relacionados ao controle de recursos energéticos, como o petróleo. Segundo ele, a disputa seria parte de uma estratégia dos Estados Unidos para reforçar sua influência no continente americano e enfrentar o que chamou de “terrorismo internacional”.
As declarações também incluíram referências ao chamado “Escudo das Américas”, um acordo que, segundo Milei, possibilitaria o envio de tropas dos Estados Unidos para o continente. O pacto foi estabelecido por diversos líderes latino-americanos, mas países como México, Colômbia e Brasil não aderiram à iniciativa, evidenciando divisões regionais sobre a presença militar norte-americana sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
Milei também fez acusações contra o Irã, afirmando que o país financiaria atividades consideradas terroristas na América Latina por meio de vínculos com Cuba e Venezuela. Em outro momento de sua intervenção, ele mencionou a possibilidade de uma futura intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba.
Além da dimensão geopolítica, o presidente argentino apresentou uma leitura econômica do cenário internacional. Segundo ele, um eventual conflito poderia ser “favorável” para a Argentina no plano externo. Milei afirmou que o país poderia representar uma “oportunidade de negócios” sob uma perspectiva financeira, defendendo uma abordagem econômica baseada em critérios de mercado.
As declarações ocorreram em meio à chamada “Semana Argentina” em Nova York, iniciativa do governo para promover o país junto a investidores estrangeiros. No entanto, a viagem também gerou críticas dentro da própria Argentina.


