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Ataque dos EUA à Venezuela deixou ao menos 80 mortos

Operação militar para sequestrar Nicolás Maduro em Caracas resultou em mortes de civis e militares

Pânico em Caracas após ataque dos Estados Unidos (Foto: AP)

247 - O ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, com o objetivo declarado de capturar o presidente Nicolás Maduro, deixou ao menos 80 pessoas mortas, entre militares e civis, segundo informações divulgadas por autoridades venezuelanas. A operação, realizada com bombardeios em Caracas e em outros estados do país, provocou forte comoção regional, condenações internacionais e agravou uma crise diplomática de grandes proporções na América Latina. As informações são do New York Times.

Um alto funcionário do governo venezuelano afirmou que o número de mortos inclui integrantes das forças armadas e civis atingidos durante os ataques. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, confirmou que uma “grande parte” da equipe de segurança de Maduro foi morta durante a operação, embora não tenha divulgado números oficiais.

Autoridades venezuelanas também acusaram os Estados Unidos de atingirem áreas civis durante a ação militar, que teve como alvo a captura do presidente. Até o momento, o governo da Venezuela não divulgou um balanço oficial detalhado das vítimas, mas confirmou que há mortos e feridos em diferentes regiões afetadas pelos bombardeios.

Cuba informou que 32 de seus cidadãos morreram durante a ofensiva, incluindo militares que atuavam no país em missões de cooperação. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou luto oficial nos dias 5 e 6 de janeiro. Em declaração pública, afirmou: “Nossos compatriotas cumpriram seu dever com dignidade e heroísmo e tombaram, após feroz resistência, em combate direto contra os agressores ou como resultado dos bombardeios.”

O chanceler venezuelano, Yvan Gil Pinto, prestou homenagem aos cubanos mortos, afirmando que eles “ofereceram suas vidas” no cumprimento de missões de cooperação e defesa. Ele classificou a operação dos Estados Unidos como um ataque “criminoso e infame” contra a soberania venezuelana.

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que nenhum militar norte-americano morreu na operação, embora tenha admitido que alguns soldados possam ter ficado feridos. Segundo dois funcionários norte-americanos ouvidos pelo New York Times, cerca de meia dúzia de militares dos EUA sofreram ferimentos durante a ação para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Relatos da imprensa indicam que os bombardeios atingiram instalações militares estratégicas, infraestruturas de comunicação e depósitos logísticos. Autoridades norte-americanas afirmaram que os ataques aéreos serviram como cobertura para a captura de Maduro, que foi levado aos Estados Unidos para enfrentar acusações de narcotráfico e crimes relacionados a armas.

A liderança venezuelana rejeita há anos essas acusações, sustentando que elas são utilizadas por Washington como pretexto para promover uma mudança de regime no país. Após a captura de Maduro, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina e fez um apelo público por diálogo.

Em mensagem divulgada no Telegram, Rodríguez escreveu: “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a mensagem do presidente Nicolás Maduro e é a mensagem de toda a Venezuela neste momento.” Ela também defendeu uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos e propôs uma agenda de cooperação voltada ao desenvolvimento compartilhado, reafirmando o direito da Venezuela “à paz, ao desenvolvimento, à soberania e ao futuro”.

Anteriormente, Rodríguez havia exigido a libertação imediata de Maduro e declarado que a Venezuela “nunca voltará a ser colônia de outro império” nem aceitará a submissão externa. Em resposta, Trump advertiu que ela “pagaria um preço maior” caso não agisse conforme o que chamou de “fazer a coisa certa”.

A captura de Maduro e de sua esposa ocorreu no sábado, durante uma operação que envolveu ataques aéreos na capital e em outras regiões do país. No domingo, Washington anunciou que ambos foram formalmente denunciados no Distrito Sul de Nova York por acusações como conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes relacionados a armas. Maduro nega todas as acusações.

A ofensiva reacendeu décadas de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, marcadas por sanções unilaterais, confrontos políticos e disputas diplomáticas. Washington vinha se recusando a reconhecer Maduro como presidente legítimo do país.

O episódio também ampliou o discurso agressivo de Trump contra outros países da região. O presidente norte-americano ameaçou a Colômbia com uma ação militar semelhante, afirmando a jornalistas que o país é governado por “um homem doente”, em referência ao presidente Gustavo Petro, a quem chamou de “líder das drogas”. Questionado se apoiaria uma operação militar, Trump respondeu: “Isso me parece bom.”

Petro reagiu publicamente, pedindo que Trump “pare de difamar” e conclamando os países latino-americanos à união, alertando que a região corre o risco de ser tratada como “serva e escrava”. As declarações ocorreram em meio à indignação crescente com a operação militar na Venezuela.

A ação dos Estados Unidos foi condenada por países do Sul Global. A China classificou a captura de Maduro como uma violação do direito internacional. Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma declaração conjunta alertando que a operação estabeleceu “um precedente extremamente perigoso” para a segurança regional.

Trump justificou a ofensiva evocando a Doutrina Monroe, do século XIX, ao afirmar que a América Latina estaria sob a esfera de influência de Washington. Disse ainda que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela e advertiu que novos ataques poderiam ocorrer caso Caracas “não se comporte”. O presidente norte-americano também intensificou ameaças contra Cuba e México, ampliando o clima de instabilidade geopolítica no continente.

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