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"Brasil e Venezuela são um só país", diz Múcio ao reforçar apoio à reconstrução após terremotos

Ministro da Defesa visita Caracas, coordena ações de reconstrução após terremotos e diz que governo brasileiro ampliará cooperação humanitária com o país

Delcy Rodríguez e José Múcio (Foto: SEAUD/SECOM)
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247 - O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (30), durante visita oficial a Caracas, que "a partir de agora, Brasil e Venezuela são um só país", ao defender o fortalecimento da cooperação entre os dois governos para enfrentar os impactos dos terremotos que atingiram o território venezuelano na última semana. A declaração foi feita durante reunião com autoridades venezuelanas para discutir as ações de ajuda humanitária e os planos de reconstrução das áreas afetadas.

As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que acompanhou o encontro entre a delegação brasileira e integrantes do governo venezuelano. Ainda nesta terça-feira, Múcio tem reunião marcada com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas.

Durante encontro com o ministro da Defesa da Venezuela, Gustavo González López, José Múcio destacou a disposição do governo brasileiro em ampliar o apoio ao país vizinho. "Precisamos ver onde podemos ajudar mais. A simpatia que o meu presidente [Lula] tem pela Venezuela é absoluta", declarou o ministro brasileiro. Em seguida, reforçou a mensagem de integração entre os dois países ao afirmar: "A partir de agora, Brasil e Venezuela são um só país."

Segundo Múcio, o objetivo da missão brasileira vai além da resposta emergencial aos desastres naturais e busca estabelecer uma cooperação de longo prazo para a reconstrução das cidades atingidas.

Brasil estuda apoio à reconstrução urbana

A comitiva brasileira é composta também pela vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e pelo secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo. A presença da equipe técnica tem como finalidade avaliar a dimensão dos danos provocados pelos terremotos e elaborar propostas de cooperação voltadas à recuperação da infraestrutura urbana.

De acordo com Múcio, a experiência acumulada pela Caixa Econômica Federal em processos de reconstrução, como ocorreu após as enchentes no Rio Grande do Sul, poderá servir de referência para apoiar a Venezuela. A instituição também possui histórico de atuação em projetos habitacionais no país durante o governo de Hugo Chávez.

"A Caixa veio para ver o que pode ser feito no longo prazo", afirmou o ministro.

Venezuela agradece apoio internacional

Durante o encontro, o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López, agradeceu a mobilização internacional em favor da população afetada pelos terremotos. Segundo ele, 32 países enviaram ajuda humanitária, incluindo equipes de resgate, aproximadamente 400 cães farejadores e doações de alimentos e outros suprimentos.

A reunião ocorreu em uma área preservada do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, próximo à capital Caracas. Embora parte da estrutura comercial do terminal tenha sofrido danos durante os terremotos, as operações vêm sendo retomadas gradualmente. A área destinada a voos presidenciais permaneceu em funcionamento durante todo o período.

No local também havia dezenas de militares dos Estados Unidos envolvidos nas operações internacionais de apoio.

Operação brasileira mobiliza equipes de resgate

Desde a última sexta-feira (26), o governo brasileiro enviou quatro voos de ajuda humanitária à Venezuela, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores.

A operação reúne equipes especializadas de busca e resgate urbano da Força Aérea Brasileira, bombeiros militares dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de seis cães farejadores, técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

As aeronaves transportaram ainda um hospital de campanha da Marinha do Brasil, 48 profissionais de saúde, medicamentos e insumos suficientes para atender aproximadamente 1.500 pessoas durante um mês.

Também foram enviados cem purificadores de água movidos a energia solar, cada um com capacidade para produzir até 5 mil litros de água potável por dia.

O voo mais recente ocorreu no domingo (28), levando outros 35 bombeiros e equipamentos para uma missão prevista de 15 dias.

Equipes brasileiras já realizaram resgates

Segundo o Itamaraty, as equipes brasileiras concentram seus trabalhos principalmente na região de La Guaira, uma das mais atingidas pelos terremotos.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os profissionais enviados pelo Brasil já conseguiram resgatar pelo menos duas pessoas com vida entre os escombros, enquanto seguem as operações de busca, atendimento humanitário e apoio às autoridades venezuelanas nas áreas afetadas.

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