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Casa Branca promete ampliar ataques contra grupos criminosos na América Latina

Governo Trump compara cartéis latino-americanos a organizações terroristas e diz que seguirá “identificando e neutralizando” grupos considerados ameaça

Donald Trump em Versalhes (Foto: Reuters)
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247 – A Casa Branca indicou que os Estados Unidos pretendem manter e ampliar operações contra grupos criminosos na América Latina, adotando contra cartéis e facções classificadas como terroristas a mesma lógica usada no combate a organizações extremistas internacionais.

A informação foi publicada pela RT Brasil, com base em declaração da porta-voz Olivia Wales ao The Washington Post. Segundo ela, o governo do presidente Donald Trump trata organizações motivadas por razões políticas e grupos criminosos voltados ao lucro dentro de uma mesma abordagem de segurança nacional e antiterrorismo.

De acordo com Olivia Wales, Washington continuará atuando contra organizações que sejam consideradas uma ameaça direta aos cidadãos norte-americanos. "Os Estados Unidos continuarão identificando e neutralizando qualquer grupo que tenha a intenção e a capacidade de planejar ataques contra americanos, sejam cartéis mortais que envenenaram milhões de americanos ou jihadistas", afirmou a porta-voz.

A declaração sinaliza uma escalada na política externa e de segurança dos Estados Unidos para a América Latina, com impacto potencial sobre países da região que passaram a ter grupos criminosos enquadrados pelo governo norte-americano como organizações terroristas estrangeiras.

Cartéis entram na lógica da guerra ao terror

Segundo as informações divulgadas, o governo americano já classificou mais de uma dezena de grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas estrangeiras. A medida amplia o alcance jurídico, militar e diplomático das ações de Washington contra essas facções e aproxima o tratamento dado aos cartéis daquele historicamente aplicado a redes jihadistas e grupos extremistas radicais.

O texto destaca ainda que a ação contra a facção Tren de Aragua, realizada sem devido processo e em território estrangeiro, reforçou essa aproximação entre a forma como os Estados Unidos enxergam redes terroristas islâmicas e grupos criminosos organizados na América Latina.

A lógica apresentada pela Casa Branca coloca cartéis de drogas, facções transnacionais e organizações criminosas regionais no centro da estratégia norte-americana de segurança hemisférica. Na prática, isso abre caminho para operações mais agressivas, inclusive fora do território dos Estados Unidos, sob o argumento de proteção de cidadãos norte-americanos.

Tren de Aragua vira alvo prioritário de Washington

Entre os principais alvos das autoridades norte-americanas está Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder do Tren de Aragua. Ele era considerado o criminoso mais procurado da Venezuela e figurava entre os nomes prioritários para os Estados Unidos.

A facção venezuelana ganhou destaque nos últimos anos por sua atuação transnacional e passou a ser tratada por Washington como uma ameaça de segurança regional. O enquadramento do grupo dentro da lógica antiterrorista fortalece a narrativa do governo Trump de que organizações criminosas latino-americanas devem ser combatidas com instrumentos semelhantes aos empregados contra grupos extremistas internacionais.

Sobre o caso, Patrick Weaver, chefe adjunto de gabinete do secretário de Defesa Pete Hegseth, afirmou: "A morte de 'Niño Guerrero' envia uma mensagem clara à América Latina. Não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério."

A declaração reforça o tom adotado por setores do governo norte-americano, que passaram a usar o termo “narcoterroristas” para designar grupos criminosos envolvidos com tráfico de drogas e outras atividades ilícitas na região.

Escalada preocupa a América Latina

A promessa de continuidade das operações dos Estados Unidos contra grupos criminosos na América Latina ocorre em um contexto de crescente militarização do discurso norte-americano sobre segurança regional. Ao equiparar cartéis e facções a organizações terroristas, a Casa Branca amplia a justificativa para ações extraterritoriais e pressiona governos latino-americanos a aderirem à agenda de segurança de Washington.

A estratégia pode ter repercussões diplomáticas relevantes, sobretudo em países onde os Estados Unidos aleguem existir organizações classificadas como terroristas estrangeiras. A classificação de grupos criminosos sob essa categoria tende a aumentar a tensão entre soberania nacional, cooperação policial e uso da força em território estrangeiro.

O governo Trump, no entanto, afirma que continuará perseguindo organizações que considere capazes de planejar ataques contra norte-americanos. A mensagem da Casa Branca é que a América Latina permanecerá no centro da política de segurança dos Estados Unidos, especialmente quando cartéis e facções forem associados ao tráfico de drogas, à violência transnacional e a ameaças contra cidadãos americanos.

Com isso, Washington consolida uma mudança de abordagem: cartéis latino-americanos deixam de ser tratados apenas como organizações criminosas e passam a ocupar, no discurso oficial, um espaço semelhante ao de grupos terroristas internacionais.

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