Central sindical boliviana convoca greve por tempo indeterminado
COB exige reajuste de 20%, defende recursos naturais e apoia setores mobilizados no país
247 - A Central Operária Boliviana (COB) decretou greve por tempo indeterminado com uma pauta de reivindicações por reajuste salarial, críticas à inflação, defesa dos recursos naturais e apoio a setores mobilizados contra mudanças na legislação agrária.
As informações foram divulgadas pela agência Prensa Latina, que destacou o impacto político e social da paralisação convocada pela COB em meio a diferentes protestos no país. Segundo o secretário executivo da entidade, Mario Argollo, a decisão expressa solidariedade aos movimentos que já estavam mobilizados.
“O povo exigiu imediatamente atenção às resoluções desta assembleia, mas, ao mesmo tempo, como temos muitos setores mobilizados, decidimos por uma greve geral por tempo indeterminado”, afirmou Argollo.
A mobilização ocorre em um cenário de pressão social crescente. Entre os setores citados pela COB estão povos indígenas que marcham de Pando e Beni em direção a La Paz contra a Lei 1720. A norma estabelece a conversão de pequenas terras produtivas em médias e permite que essas propriedades possam ser hipotecadas.
Críticos da legislação afirmam que a medida pode favorecer a ampliação de grandes propriedades rurais. Para os setores mobilizados, a mudança representa risco à estrutura produtiva de pequenos proprietários e comunidades.
Demandas salariais e críticas à inflação
Além da pauta agrária, a COB voltou a cobrar um aumento de 20% no salário mínimo nacional e no salário-base. A reivindicação foi reafirmada durante a assembleia pública realizada em El Alto, que reuniu diferentes setores sociais.
Argollo também criticou a permanência dos preços elevados dos bens básicos. Segundo ele, o custo de vida segue pressionando a população, enquanto os problemas relacionados ao abastecimento e à qualidade dos combustíveis continuam afetando trabalhadores e consumidores.
O dirigente sindical afirmou ainda que, mesmo com o levantamento do subsídio, o combustível vendido é de má qualidade e segue causando danos a motores. A crítica reforça uma das pautas centrais do movimento: a reposição do poder de compra diante da inflação.
Durante a mobilização, os participantes também defenderam a redução dos salários mais altos do setor público. A proposta apresentada prevê cortes entre 20 e 50 pontos percentuais nas remunerações das principais autoridades do Estado.
Defesa dos recursos naturais e das empresas públicas
A assembleia da COB também incluiu reivindicações relacionadas à defesa e proteção dos recursos naturais da Bolívia. Os manifestantes rejeitaram a privatização de empresas públicas e defenderam medidas que preservem o patrimônio estatal.
A pauta amplia o alcance da greve, que não se limita a demandas salariais. O movimento também expressa oposição a medidas vistas pelos participantes como prejudiciais à soberania econômica e aos direitos sociais.
Polícia de La Paz mantém efetivo nos quartéis
Em meio ao avanço dos protestos, o comandante da polícia no departamento de La Paz, Juan Amílcar Sotopeña, confirmou que todo o efetivo da corporação na jurisdição de La Paz foi mantido nos quartéis.
“Temos 100% do pessoal do Comando Departamental de La Paz confinado aos quartéis e, obviamente, dividido em diferentes turnos. Temos o pessoal necessário para cobrir esse serviço e salvaguardar os bens do Estado”, declarou Sotopeña.
A medida reflete a preocupação das autoridades com possíveis desdobramentos da mobilização. A capital administrativa boliviana é um dos principais pontos de chegada das marchas e protestos convocados por setores sociais.
Rodrigo Paz diz não temer mobilizações
Diante do cenário de instabilidade, o presidente Rodrigo Paz afirmou nas redes sociais que não teme os protestos. Segundo ele, sua maior preocupação é a capacidade do país de construir respostas efetivas para seus problemas.
“A Bolívia quer mudança, e eu não tenho medo das mobilizações; sou um construtor da democracia que cresceu em meio a marchas e lideranças históricas. Não tenho medo do movimento nas ruas; o que realmente me preocupa é que não sejamos capazes de oferecer soluções reais para o futuro do nosso país”, escreveu o presidente em sua conta oficial no Facebook.
A greve geral por tempo indeterminado convocada pela COB coloca o governo diante de uma combinação de pressões sociais, econômicas e políticas. A mobilização reúne reivindicações trabalhistas, críticas à inflação, defesa das empresas públicas e contestação à Lei 1720, em um momento de forte disputa sobre os rumos da Bolívia.


