China manifesta oposição firme a possível bloqueio petrolífero dos EUA contra Cuba
Pequim critica planos de Washington e reafirma apoio a Cuba diante de ameaças ao fornecimento de hidrocarbonetos
247 - O governo da China manifestou forte preocupação e oposição às ações dos Estados Unidos contra Cuba, incluindo a possibilidade de um bloqueio ao fornecimento de petróleo para a ilha. A posição foi expressa nesta terça-feira (27) por Pequim, que classificou as medidas como uma ameaça direta à sobrevivência e ao desenvolvimento do povo cubano, além de um fator de desestabilização regional, informa a Prensa Latina.
Durante entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, pediu que Washington abandone políticas que, segundo ele, violam o direito internacional e agravam a situação humanitária em Cuba. “Instamos os Estados Unidos a deixarem de privar o povo cubano de seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento, a deixarem de minar a paz e a estabilidade regionais, a porem fim às violações do direito internacional e a levantarem imediatamente o bloqueio e as sanções contra Cuba”, afirmou.
Guo ressaltou ainda que a China continuará oferecendo apoio e assistência à nação caribenha, expressando confiança na capacidade do país de superar as atuais dificuldades. Segundo o porta-voz, “sob a firme liderança do Partido e do Governo cubanos, o povo cubano superará sem dúvida suas dificuldades atuais”.
O diplomata chinês também mencionou a resposta oficial de Havana às informações sobre o possível bloqueio. “Observamos que o Ministério das Relações Exteriores de Cuba já respondeu a este assunto, assinalando que tais ações constituem uma repressão brutal contra uma nação pacífica que não abriga hostilidade em relação a nenhum país, e demonstram ainda mais que as dificuldades econômicas de Cuba são causadas principalmente pelos Estados Unidos”, declarou Guo Jiakun.
As declarações de Pequim se baseiam em uma publicação do jornal norte-americano Politico, que revelou planos de Washington para restringir o acesso de Cuba a hidrocarbonetos. O tema reacendeu preocupações sobre o impacto das sanções na economia cubana, fortemente dependente do abastecimento energético externo.
Em Havana, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, classificou a possível medida como “um assalto brutal contra uma nação pacífica que não representa ameaça alguma para os Estados Unidos”. O diplomata cubano afirmou que iniciativas desse tipo comprovam que “as carências econômicas que enfrenta o povo cubano estão principalmente provocadas e desenhadas a partir de Washington”.
Fernández de Cossío recordou ainda que, em 2019, figuras como Marco Rubio e John Bolton defenderam junto a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, a adoção de um bloqueio semelhante ao setor petrolífero cubano. Segundo ele, a iniciativa acabou sendo barrada à época por agências de segurança nacional norte-americanas, que consideraram o plano irresponsável e perigoso, por representar um caminho de confronto injustificável.


