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Claudia Sheinbaum condena ataque dos EUA à Venezuela: “as Américas não pertencem a nenhuma doutrina ou poder”

Presidente afirma que “somente os próprios povos podem decidir seu caminho, exercer soberania sobre seus recursos naturais e definir sua forma de governo"

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, discursa durante uma coletiva de imprensa, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no sábado impor uma tarifa de 30% sobre as importações do México e da União Europeia a partir de 1º de agosto, na Cidade do México, México, em 14 de julho de 2025 (Foto: REUTERS/Raquel Cunha)

247 - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, voltou a condenar de forma enfática a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em declarações feitas nesta segunda-feira (5), durante uma coletiva de imprensa na Cidade do México, a chefe de Estado reafirmou a posição histórica do país contra qualquer tipo de intervenção externa nos assuntos internos de outras nações.

Segundo Sheinbaum, o posicionamento mexicano é sólido e não admite ambiguidades. “A posição do México sobre qualquer forma de intervenção é firme, clara e histórica”, afirmou a presidente.

A presidente mexicana reforçou que o princípio da não intervenção faz parte da tradição diplomática do país. “O México reafirma um princípio que não é novo nem aberto a interpretações: rejeitamos categoricamente a intervenção nos assuntos internos de outros países”, declarou. Na sequência, ela fez referência ao histórico da região: “A história da América Latina é clara e convincente. A intervenção nunca trouxe democracia”.

Claudia Sheinbaum destacou ainda o direito dos povos à autodeterminação e à soberania. “Somente os próprios povos podem construir seu futuro, decidir seu caminho, exercer soberania sobre seus recursos naturais e definir livremente sua forma de governo”, disse. Para a presidente, esses valores não estão sujeitos a negociação. “Para o México — e como deveria ser para todos os mexicanos — a soberania e a autodeterminação dos povos não são opcionais nem negociáveis”.

Em outro momento da coletiva, Sheinbaum ampliou o debate ao tratar da geopolítica continental. “O México sustenta firmemente que as Américas não pertencem a nenhuma doutrina ou poder. O continente americano pertence aos povos de cada um de seus países”, afirmou.

A presidente também respondeu às acusações feitas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de que o México não estaria fazendo o suficiente para combater os cartéis do narcotráfico. Segundo Sheinbaum, há cooperação ativa entre os dois países. “O México coopera com os Estados Unidos, inclusive por razões humanitárias, para evitar que o fentanil e outras drogas cheguem à sua população, especialmente aos jovens”, declarou.

Ela concluiu ressaltando que o combate às drogas é uma preocupação compartilhada. “Não queremos que o fentanil ou qualquer droga se aproxime de nenhum jovem — seja nos Estados Unidos, no México ou em qualquer outra parte do mundo”.

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