Trump ameaça o México após atacar a Venezuela: "algo terá de ser feito"
Presidente do México, Claudia Sheinbaum “não manda no país”, disse Trump: “os cartéis mandam”
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação militar contra o governo da Venezuela também deve ser interpretada como um recado a outros países do hemisfério ocidental. Segundo ele, a ação estaria inserida em uma retomada da Doutrina Monroe, apresentada por sua gestão como um princípio de reafirmação da influência norte-americana na região.
As declarações foram feitas em entrevistas e pronunciamentos realizados em Nova York e Washington e repercutidas pelo jornal mexicano La Jornada. Ao celebrar o desfecho da ofensiva militar, Trump sustentou que a iniciativa demonstra que outros governos da região precisam se subordinar aos interesses dos Estados Unidos, país que ele classificou como dominante no hemisfério.
Questionado em uma entrevista à Fox News se a operação contra a Venezuela poderia ser interpretada como uma mensagem direcionada ao México, Donald Trump respondeu que “não foi a intenção”, mas acrescentou que “algo terá de ser feito” em relação ao poder dos cartéis de drogas no país. Em seguida, comentou sua relação com a presidente mexicana: “Somos muito amistosos, ela é uma boa mulher, mas os cartéis mandam no México. Ela não manda no México”.
O presidente dos Estados Unidos reforçou a crítica ao afirmar que Claudia Sheinbaum “está muito assustada com os cartéis”. Segundo Trump, ele teria questionado a presidente mexicana em diversas ocasiões sobre a possibilidade de uma atuação direta dos Estados Unidos contra essas organizações criminosas. “Perguntei inúmeras vezes se ela gostaria que retirássemos os cartéis, e ela me disse que não”, declarou, antes de concluir: “Algo terá de ser feito com o México”.
Apesar do tom adotado na entrevista, Trump não voltou a mencionar o México durante a coletiva de imprensa transmitida em rede nacional no mesmo sábado. Nesse pronunciamento, ele enquadrou a operação militar como parte de uma reativação da Doutrina Monroe, que, segundo afirmou, passou a ser chamada em sua homenagem de doutrina “Donroe”.
Nesse contexto mais amplo, Trump também foi questionado sobre outros países da região. Ao falar sobre Cuba, declarou: “Cuba será algo que teremos de discutir, porque Cuba é uma nação fracassada agora… é muito parecido com o que queremos, que é ajudar o povo de Cuba”. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reforçou o discurso ao afirmar que “Cuba é um desastre” e avaliou que a ação na Venezuela demonstra que Trump está disposto a acompanhar suas palavras com ações concretas. “Se eu morasse em Havana, estaria preocupado”, disse.
O presidente dos Estados Unidos também comentou a situação da Colômbia, repetindo críticas feitas anteriormente. Segundo ele, o governo colombiano continua permitindo o cultivo e o tráfico de cocaína, que “estão sendo enviados aos Estados Unidos”. Trump voltou a usar uma expressão polêmica ao dizer que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “precisa cuidar do próprio traseiro”.
Durante a entrevista, Trump foi ainda questionado sobre a captura, no mesmo sábado, de Maduro, acusado de narcotráfico, em contraste com sua decisão recente de conceder indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, que cumpria uma longa pena após ser condenado por narcotráfico em um julgamento nos Estados Unidos. Sobre Hernández, Trump limitou-se a afirmar que a forma como ele foi processado foi “injusta”.
O presidente norte-americano acrescentou que apoiou Nasry Asfura, candidato do mesmo partido de Hernández, que venceu as eleições em Honduras, o que, segundo ele, demonstraria que a maioria da população do país não se mostrou contrária ao indulto. Trump afirmou ainda que candidatos latino-americanos apoiados por ele também venceram eleições no Chile e, anteriormente, na Argentina. “Estamos indo muito bem”, declarou.



