HOME > América Latina

Colômbia relaciona bombardeio dos EUA na Venezuela ao ELN

Gustavo Petro associa ação estadunidense ao Exército de Libertação Nacional (ELN) e ao tráfico de drogas na fronteira

O presidente colombiano, Gustavo Petro - 23/10/2025 (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira (30) que os Estados Unidos realizaram um bombardeio contra um laboratório de produção de cocaína localizado na cidade venezuelana de Maracaibo. Segundo ele, a estrutura estaria ligada à atuação do Exército de Libertação Nacional (ELN), guerrilha colombiana com presença em áreas de fronteira entre os dois países. A declaração, segundo a AFP,  foi feita após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que seu governo havia destruído um atracadouro em território venezuelano supostamente utilizado para o tráfico de drogas. 

Declarações de Petro sobre o ataque

Em publicação na rede social X, o presidente colombiano afirmou: “Sabemos que Trump bombardeou um laboratório, em Maracaibo, tememos que misturem ali a pasta de coca para transformá-la em cocaína”. Petro não especificou se o ataque mencionado corresponde exatamente à operação anunciada pelo governo estadunidense.

Ligação com o ELN e o tráfico de drogas

Em uma mensagem mais extensa, Petro relacionou diretamente a instalação bombardeada à atuação do ELN, grupo que controla parte da produção de cocaína na região de Catatumbo, na fronteira da Colômbia com a Venezuela. “É simplesmente o ELN. O ELN está permitindo, com seu tráfico de drogas e seu dogma mental, invadir a Venezuela”, declarou.

Segundo o centro de estudos Insight Crime, o ELN atua tanto em território colombiano quanto venezuelano, financiando-se por meio do tráfico de drogas e de práticas de extorsão, especialmente em regiões fronteiriças.

Anúncio de Trump e ofensiva dos EUA

Na segunda-feira, Donald Trump afirmou que, durante a ação americana, “houve uma grande explosão na área do atracadouro onde as embarcações são carregadas com drogas”. O presidente dos Estados Unidos não detalhou se a operação foi conduzida pelas Forças Armadas ou pela Agência Central de Inteligência (CIA), nem indicou o local exato do ataque, limitando-se a dizer que ocorreu “ao longo da costa”.

Desde setembro, Washington conduz uma campanha de bombardeios no Caribe e no Pacífico contra embarcações supostamente usadas por narcotraficantes, ações que já provocaram mais de 100 mortes. Nas últimas semanas, Trump vinha afirmando que os Estados Unidos também realizariam ataques em terra contra cartéis de drogas na América Latina, e o episódio anunciado agora é interpretado como o primeiro dessa nova fase.

Contexto regional e silêncio de Caracas

O governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro não se pronunciou sobre o suposto ataque em Maracaibo. Os Estados Unidos não reconhecem o governo Maduro e acusam o mandatário venezuelano de integrar a alegada organização de narcotráfico conhecida como “Cartel de los Soles”.

Além das ações militares, o governo Trump determinou o bloqueio de todos os petroleiros sancionados por Washington que entrem ou saiam da Venezuela. De acordo com as informações divulgadas, ao menos dois navios já foram apreendidos no âmbito dessas medidas.

Artigos Relacionados