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Crime organizado, comércio e América Latina estarão na pauta do encontro entre Lula e Trump

Governo também mira a manutenção de uma boa relação com os Estados Unidos em ano de disputa eleitoral no Brasil

Lula e Trump se reúnem na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem se reunir presencialmente em março, em um encontro ainda sem data definida, com o objetivo de tratar de temas considerados estratégicos para a relação bilateral. A expectativa no Palácio do Planalto é que a conversa ajude a organizar e fortalecer o diálogo entre os dois países, com foco em segurança pública, comércio e a situação política na América Latina, segundo o G1.

De acordo com fontes da diplomacia brasileira ouvidas pela GloboNews, o Brasil pretende levar à mesa três eixos principais: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e o cenário latino-americano. Esses assuntos já haviam sido mencionados na mais recente conversa telefônica entre Lula e Trump, indicando a intenção de aprofundar o diálogo em nível presencial.

A previsão é que a comitiva brasileira inclua representantes de áreas diretamente envolvidas nas pautas discutidas, como o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal. A ida a Washington busca dar caráter mais concreto às tratativas e alinhar posições entre os dois governos.

No campo da segurança pública, o combate ao crime organizado ocupa lugar central. Na última ligação telefônica, Lula reforçou uma proposta enviada ao Departamento de Estado norte-americano em dezembro de 2025 para ampliar a cooperação bilateral. A iniciativa prevê ações conjuntas no enfrentamento à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de organizações criminosas e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. Segundo o Planalto, a sinalização do presidente dos Estados Unidos foi positiva em relação ao avanço dessa agenda.

O governo brasileiro avalia que o tema da segurança também terá peso relevante nas eleições de 2026. Nesse contexto, interlocutores consideram que manter uma relação próxima com Trump pode ajudar a neutralizar eventuais articulações internacionais da extrema direita com impacto no processo eleitoral brasileiro. A expectativa é que o encontro permita lançar, de forma mais estruturada, uma parceria estratégica entre os dois países nessa área.

A situação na América Latina também deve integrar a conversa. Fontes diplomáticas afirmam que o tema é recorrente em encontros entre os dois presidentes, por envolver diretamente a região de influência e interesse comum. Ainda assim, acontecimentos recentes na Venezuela ampliaram a atenção sobre o assunto.

O sequestro de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, ocorrida em 3 de janeiro, gerou forte repercussão internacional. A operação envolveu tropas de elite e confronto direto com forças venezuelanas, mas foi concluída sem baixas entre os militares dos Estados Unidos. Maduro e sua esposa foram levados inicialmente a um navio militar e, em seguida, aos Estados Unidos, onde passaram por audiência judicial e se declararam inocentes das acusações. Com a destituição do presidente, Delcy Rodríguez assumiu a liderança do país, aprofundando a crise política venezuelana e ampliando seus reflexos no cenário regional.

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