Lula defende soberania do Panamá sobre o Canal diante de pressões de Trump
Presidente brasileiro destaca neutralidade da via marítima estratégica e defende integração latino-americana em encontro no Panamá
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se posicionar publicamente em defesa da soberania do Panamá sobre o Canal do Panamá e da manutenção da neutralidade da rota marítima, considerada estratégica para o comércio global. A declaração foi feita nesta quarta-feira (28), durante encontro com o presidente panamenho José Raúl Mulino, logo após a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado no país centro-americano.Ao tratar do tema, Lula associou a neutralidade do canal à estabilidade das relações comerciais internacionais. Reportagem da Carta Capital destaca a declaração do presidente brasileiro: “Defender a neutralidade do canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais”.
Mais cedo, Lula já havia ressaltado a importância de preservar a gestão neutra da via para evitar conflitos em uma área considerada vital para toda a região.
Construído no início do século XX e oficialmente transferido ao controle panamenho no fim de 1999, o Canal do Panamá conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e é um dos principais corredores marítimos do planeta. O tema voltou ao centro do debate internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, no ano passado, chegou a ameaçar assumir o controle da passagem. Trump alegou que o canal estaria sendo operado pela China e criticou as tarifas cobradas pela administração panamenha.
Em conversa com a imprensa, Lula também abordou a necessidade de superar disputas políticas para fortalecer o comércio regional. “Falta a compreensão do que é uma atividade política. O presidente não faz negócios, mas ele abre as portas para quem faz negócios”, declarou. Segundo ele, encontros multilaterais como o Fórum Econômico Internacional demonstram que “com diálogo e pragmatismo é possível estabelecer um crescimento conjunto”.O presidente brasileiro defendeu ainda o fortalecimento dos blocos regionais como forma de proteção contra choques externos e ampliou o tom ao falar sobre a fragmentação política na América Latina. “Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano. Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel. Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais”, afirmou Lula, ao alertar para os riscos da divisão entre os países da região.
Durante a visita oficial ao Panamá, Lula foi homenageado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração do país. A honraria é concedida a chefes de Estado, autoridades estrangeiras e personalidades que tenham prestado serviços relevantes ao Panamá ou contribuído para o fortalecimento das relações diplomáticas e institucionais com a nação.


