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No Panamá, Lula é condecorado e destaca avanço da relação bilateral

Presidente destaca avanço do comércio, acordos de cooperação e defesa da soberania do Canal do Panamá

28.01.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino. Palácio Presidencial. Cidade do Panamá - Panamá (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condecorado nesta quarta-feira (28) com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo Panamá. A cerimônia ocorreu na Cidade do Panamá, onde o chefe de Estado brasileiro participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.

Durante o discurso, Lula recordou uma visita ao Panamá em 2008, no contexto da crise do subprime nos Estados Unidos, e afirmou que voltou ao país motivado pelo fortalecimento do diálogo político e econômico. “Um presidente da República não faz negócios, mas abre a porta para os que fazem negócio”, afirmou. Para ele, o contato direto entre líderes é central nas relações internacionais. “A relação política, o aperto de mão, o abraço, o olhar no olho, vale mais do que milhares de e-mails. Nós somos seres humanos, não algoritmos”.

Lula destacou que, em menos de dois anos, ele e o presidente panamenho se encontraram seis vezes, o que, segundo afirmou, demonstra o compromisso de aprofundar os vínculos entre os dois países. “Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos”, disse. O presidente lembrou que o Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central e que, em 2025, o intercâmbio bilateral cresceu 78%.

Entre os avanços citados, Lula mencionou a assinatura de um acordo de facilitação de investimentos, o avanço nas negociações para um acordo de preferências tarifárias no âmbito da adesão do Panamá como Estado associado ao Mercosul e a formalização de instrumentos de cooperação nas áreas de turismo, cultura e gestão portuária. Ele também destacou a atualização do acordo de serviços aéreos e as discussões sobre procedimentos sanitários para a importação de carne bovina, suína e de aves.

O presidente brasileiro reafirmou o apoio do Brasil à soberania panamenha sobre o Canal do Panamá. “Como afirmei em Brasília, durante a visita do presidente Molino, nosso país apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o canal”, declarou. Lula reforçou que o governo brasileiro encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de adesão formal ao protocolo de neutralidade do canal. “Defender a neutralidade do canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais”, afirmou.

Lula também relatou a visita às instalações do canal e elogiou os avanços tecnológicos e ambientais observados. “Me impressionei com o salto estrutural tecnológico e operacional dado desde 2002, quando vi as eclusas pela última vez”, disse, citando iniciativas de governança climática, como incentivos a navios que utilizam combustíveis sustentáveis.

No Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe 2026, o presidente destacou a importância do diálogo regional e da cooperação entre os países latino-americanos e caribenhos. “Fóruns como este nos mostram que, com diálogo e pragmatismo, é possível trabalhar em conjunto para alcançar objetivos compartilhados”, afirmou. Lula ressaltou o potencial energético, a biodiversidade e os recursos naturais da região como ativos estratégicos para a transição digital e energética.

Ao final da visita, Lula afirmou que retorna ao Brasil motivado pelos resultados obtidos. “Volto a Brasília inspirado pela receptividade do povo panamenho e pelos avanços concretos que tivemos em nossa relação bilateral”, declarou. Ele acrescentou que a América Latina e o Caribe têm condições de construir um projeto autônomo de inserção internacional. “Juntos podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos”.

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