Cuba afirma disposição de diálogo com os EUA e rejeita acusações de terrorismo
Governo cubano diz que cooperação pode avançar em bases mútuas e reitera condenação inequívoca ao terrorismo
247 - O governo de Cuba voltou a afirmar sua disposição de manter um diálogo com os Estados Unidos baseado no respeito mútuo, na reciprocidade e em resultados concretos, destaca reportagem da Telesur. Em declaração oficial, a chancelaria cubana destacou que o país caribenho não representa ameaça à segurança norte-americana e reafirmou seu compromisso com a cooperação internacional no enfrentamento de desafios comuns, especialmente aqueles ligados à segurança regional e global.
A posição foi expressa em comunicado divulgado no domingo (1) pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba, no qual Havana reforça que está aberta a um diálogo “orientado para resultados concretos” e sustentado por interesses mútuos, sem renunciar à defesa de sua soberania e independência.
No texto, a chancelaria cubana reiterou a condenação “inequívoca” do terrorismo “em todas as suas formas e manifestações” e reafirmou a disposição do país em cooperar com os Estados Unidos e outras nações para fortalecer a segurança internacional. Segundo o comunicado, “Cuba declara categoricamente que não abriga, apoia, financia ou permite organizações terroristas ou extremistas”.
A declaração enfatiza ainda que o país mantém “uma política de tolerância zero em relação ao financiamento do terrorismo e à lavagem de dinheiro”, além de estar comprometido com a prevenção, detecção e combate de atividades financeiras ilícitas, em conformidade com padrões internacionais. O documento destaca que essas ações fazem parte de um esforço contínuo para fortalecer o arcabouço jurídico nacional.
O governo cubano também abordou diretamente uma das justificativas utilizadas por Washington para manter a ilha na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo. Segundo a chancelaria, “qualquer interação anterior envolvendo indivíduos posteriormente designados como terroristas ocorreu apenas em contextos humanitários limitados, ligados a processos de paz internacionalmente reconhecidos, a pedido de seus respectivos governos, de forma totalmente transparente”.
No comunicado, Havana reforça que “Cuba não abriga bases militares o de inteligência estrangeiras e rechaça a caracterização de ser una amenaza para a segurança dos Estados Unidos”, acrescentando que o país “tampoco apoiou nenhuma atividade hostil contra esse país nem permitirá que nosso território seja utilizado contra outra nação”.
Ao mesmo tempo, o texto ressalta a disposição cubana de retomar mecanismos de cooperação bilateral. “Cuba está disposta a reativar e ampliar a cooperação bilateral com os Estados Unidos para fazer frente a ameaças transnacionais compartilhadas, sem renunciar jamais à defesa de sua soberania e a independência”, afirma a chancelaria.
O posicionamento de Havana ocorre poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar, em 29 de janeiro, uma ordem executiva que voltou a classificar Cuba como uma “ameaça inusual e extraordinária”. A medida foi utilizada para justificar a imposição de tarifas a bens de países que comercializem petróleo com a ilha. O texto da ordem também sustenta que Cuba “da la bienvenida a grupos terroristas transnacionales” e “apoya el terrorismo”, alegações que o governo cubano rejeita há anos.
Na declaração divulgada no domingo à noite, o Ministério das Relações Exteriores afirma que Cuba “propone renovar la cooperación técnica con Estados Unidos” em áreas como o combate ao terrorismo, a prevenção da lavagem de dinheiro, o enfrentamento ao narcotráfico, a cibersegurança, a luta contra o tráfico de pessoas e os crimes financeiros. Segundo o comunicado, a experiência passada demonstra que “cuando ha existido voluntad de las partes, se ha podido avanzar en estos frentes”.
A chancelaria conclui que tanto o povo cubano quanto o povo norte-americano se beneficiam de um relacionamento baseado no compromisso construtivo, no respeito à legalidade e na coexistência pacífica. Ao final do texto, Havana afirma que “reafirma su disposición a mantener un diálogo respetuoso y recíproco, orientado a resultados tangibles con el Gobierno de Estados Unidos, basado en el interés mutuo y el derecho internacional”.


