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China condena nova escalada dos EUA contra Cuba e reforça apoio à soberania da ilha

Pequim critica ordem executiva de Donald Trump e cobra fim do bloqueio e das sanções impostas há mais de seis décadas

Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa (Foto: Global Times)

247 - O governo da China manifestou nesta sexta-feira (30), forte rejeição às novas medidas adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba, classificando-as como ações desumanas que atentam contra o direito do povo cubano à sobrevivência e ao desenvolvimento. 

A posição foi apresentada em Pequim, no contexto da recente ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aprofunda o cerco econômico à ilha caribenha.As declarações foram feitas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em resposta a uma pergunta da agência Prensa Latina.  Segundo ele, Pequim mantém “firme apoio” a Cuba “na defesa resoluta de sua soberania e segurança nacionais”, além de se opor de forma consistente a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do país.

Ao comentar a nova ofensiva de Washington, Guo Jiakun afirmou que a China rejeita “qualquer ação ou prática desumana que prive o povo cubano de seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento”. O porta-voz também instou o governo norte-americano a rever sua postura, pedindo que cesse medidas que comprometem a estabilidade regional e violam o direito internacional.

No início da semana, o diplomata chinês já havia cobrado de Washington que “pare de privar o povo cubano do seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento, pare de minar a paz e a estabilidade regional, ponha fim às violações do direito internacional e levante imediatamente o bloqueio e as sanções contra Cuba”. Ele acrescentou que a China seguirá oferecendo apoio e assistência ao país caribenho e declarou confiança de que, “sob a firme liderança do Partido e do Governo de Cuba, o povo cubano certamente superará suas dificuldades atuais”.

A nova medida anunciada pelo governo norte-americano envolve a declaração de um estado de emergência nacional e a criação de um mecanismo para impor tarifas sobre produtos de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba. Assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ordem executiva representa mais um endurecimento do bloqueio econômico que já dura mais de 60 anos e integra a política de “pressão máxima” da atual administração contra Havana, justificada oficialmente por razões de segurança nacional e política externa.

Em Havana, a reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, condenou “nos termos mais fortes” a nova escalada promovida por Washington. Em publicação na rede social X, o chanceler denunciou: “Agora eles estão propondo impor um bloqueio total ao fornecimento de combustível para o nosso país e, para justificar isso, estão se baseando em uma longa lista de mentiras que tentam retratar Cuba como uma ameaça que não é”.

Rodríguez Parrilla também alertou que surgem diariamente novas evidências de que “a única ameaça à paz, segurança e estabilidade da região, e a única influência maligna, é aquela exercida pelo governo dos EUA contra as nações e os povos da nossa América”. Para o chefe da diplomacia cubana, é justamente a administração de Washington que busca submeter os países da região aos seus ditames, privá-los de recursos, mutilar sua soberania e comprometer sua independência.

As declarações da China e de Cuba reforçam o crescente isolamento diplomático da política norte-americana em relação à ilha, em meio a críticas internacionais sobre os impactos humanitários e regionais do bloqueio econômico imposto por Washington.

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