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Díaz-Canel condena nova ofensiva dos EUA para bloquear combustível a Cuba

Presidente cubano afirma que a ilha não cederá à medida e anuncia campanha internacional contra a decisão de Washington

Díaz-Canel, presidente de Cuba na 12ª Cúpula Extraordinária da ALBA-TCP (Foto: Estúdios Revolução )

247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, condenou com veemência a nova escalada de hostilidade do governo dos Estados Unidos, que busca impor um bloqueio absoluto ao fornecimento de combustível ao país caribenho. Segundo o chefe de Estado, a medida representa mais um ataque direto à soberania cubana e será enfrentada com firmeza, serenidade e a convicção de que a razão está ao lado de Cuba.

A informação é da Prensa Latina e Telesur, a partir de pronunciamentos feitos pelo presidente cubano em suas redes sociais e durante uma plenária extraordinária do Partido Comunista de Cuba, realizada na capital.

Por meio de sua conta oficial na rede social X, Díaz-Canel compartilhou e endossou a Declaração do Governo Revolucionário que rejeita a ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, sob a alegação de uma suposta emergência nacional, pretende bloquear o comércio de petróleo com Cuba. Para o líder cubano, a iniciativa consolida uma forma perigosa de condução da política externa norte-americana. “O governo Trump está consolidando uma forma perigosa de conduzir a política externa do país por meio da força e exercendo suas ambições de garantir a hegemonia imperialista”, escreveu.

O presidente denunciou ainda que Washington estaria se atribuindo prerrogativas que não lhe cabem no cenário internacional. “Como anunciado, esse país está reivindicando o direito de ditar aos Estados soberanos com quais nações eles podem comercializar e de quais podem exportar seus produtos nacionais”, afirmou. Em outra mensagem, reforçou a disposição de resistência do país: “Enfrentaremos esse novo ataque com firmeza, serenidade e a certeza de que a razão está absolutamente do nosso lado. A decisão é clara: Pátria ou Morte! Venceremos!”

Durante a Plenária Extraordinária do Partido Comunista de Cuba, Díaz-Canel falou sobre a estratégia para responder às ameaças e agressões externas, que classificou como de natureza fascista e genocida, por se apoiarem em argumentos que considera falsos. Ele reiterou que Cuba não se renderá à tentativa de bloquear o fornecimento de combustível e anunciou o lançamento de uma campanha internacional para denunciar o que chamou de “ato criminoso” do governo do presidente dos Estados Unidos.“Mesmo com um bloqueio de combustível, Cuba não será derrotada pelo império”, declarou o presidente, ao enfatizar que o país mantém sua vocação pacífica e sua disposição para o diálogo. Segundo ele, apesar de mais de seis décadas de bloqueio econômico, comercial e financeiro, Cuba segue aberta à conversa com Washington, desde que haja respeito mútuo. “A questão é que o diálogo não pode ser feito sob pressão, tem que ser em condições de igualdade, de respeito, sem pré-condições”, disse.

Díaz-Canel também destacou que a política de sanções afeta não apenas Cuba, mas limita o potencial de intercâmbio entre os povos cubano e norte-americano. “Não temos nada contra o povo americano. Pelo contrário, como sempre dizemos, os povos cubano e americano estão sendo privados de muito em seu potencial de relações culturais, de pesquisa, científicas, esportivas e educacionais por causa das políticas restritivas impostas pelo bloqueio a todos”, enfatizou.

Ao ampliar sua crítica, o presidente cubano inseriu a medida contra a ilha em um padrão mais amplo de conduta imperial, que, segundo ele, também se manifesta em relação à Groenlândia e ao Irã. Nesse contexto, definiu a chamada doutrina Trump como “uma política criminosa de desprezo que visa dominar o mundo”.

Em sua conclusão, Díaz-Canel convocou a população a lutar, criar, transformar, combater e compartilhar resultados, reafirmando que o país não se deixará intimidar. “Não nos deixaremos intimidar e temos certeza de que não estaremos sozinhos diante dessa agressão dos Estados Unidos”, afirmou, ao reiterar o compromisso de defender a pátria, a Revolução e o socialismo.

Os pronunciamentos do presidente e do Governo Revolucionário respondem diretamente à ordem executiva emitida em 29 de janeiro, considerada por Havana uma ampliação extrema do bloqueio econômico, comercial e financeiro, ao tentar interromper uma das linhas de abastecimento mais vitais do país por meio da coerção de terceiros Estados.

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