Cuba denuncia escalada dos EUA e alerta para bloqueio total de combustível
Governo cubano classifica novas medidas de Washington como agressão brutal
247 -O governo de Cuba condenou, na quinta-feira (29), uma nova escalada dos Estados Unidos contra o país, classificando as medidas anunciadas por Washington como um “ato brutal de agressão” dirigido à ilha e ao seu povo. A reação oficial ocorreu após o anúncio de iniciativas que ampliam o cerco econômico imposto a Cuba, com impacto direto sobre o fornecimento de combustível.
A denúncia foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, em declarações públicas repercutidas pela emissora Telesur, que divulgou o posicionamento do governo cubano nesta quinta-feira. Segundo a chancelaria, as decisões adotadas pelos Estados Unidos representam um agravamento do bloqueio econômico mantido há mais de seis décadas contra o país caribenho.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Bruno Rodríguez afirmou: “Condenamos veementemente a nova escalada dos EUA contra Cuba”. Em seguida, alertou para o alcance das medidas anunciadas: “Agora eles estão propondo impor um bloqueio total ao fornecimento de combustível para o nosso país”.
De acordo com o governo cubano, a ofensiva foi formalizada por meio de uma ordem executiva assinada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que autoriza a imposição de tarifas a produtos de países que vendem ou fornecem petróleo à ilha. A decisão foi apresentada por Washington sob o argumento de uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” representada por Cuba.
Rodríguez contestou essa justificativa e acusou o governo norte-americano de recorrer a falsidades para sustentar a política de pressão. “Para justificar essa escalada, Washington se baseia em uma longa lista de mentiras que tentam retratar Cuba como uma ameaça que ela não é”, declarou o chanceler.
O ministro também afirmou que a política dos Estados Unidos afeta toda a região. “Todos os dias surgem novas evidências de que a única ameaça à paz, segurança e estabilidade da região, e a única influência maligna, é aquela exercida pelo governo dos EUA contra as nações e os povos da nossa América, aos quais tenta submeter-se aos seus ditames, privar de seus recursos, mutilar sua soberania e privar de sua independência”, disse.
Segundo Rodríguez, Washington recorre ainda a mecanismos de pressão sobre outros países. “Os EUA também recorrem à chantagem e à coerção para tentar fazer com que outros países se juntem à sua política de bloqueio contra Cuba, universalmente condenada, ameaçando-os com a imposição de tarifas arbitrárias e abusivas caso se recusem, em violação de todas as regras do livre comércio”, afirmou.
Ao concluir sua declaração, o chanceler cubano reforçou o apelo internacional: “Denunciamos perante o mundo este brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos está sujeito ao mais longo e cruel bloqueio econômico já aplicado contra uma nação inteira e que agora corre o risco de ser submetido a condições de vida extremas”.
As críticas foram reforçadas pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos R. Fernández de Cossío, que também se manifestou nas redes sociais. Em publicação no Facebook, ele pediu atenção da comunidade internacional. “A comunidade internacional deve estar vigilante. Baseado em uma longa lista de mentiras em que ninguém acredita, o presidente dos EUA assinou uma ordem que ameaça os Estados soberanos com tarifas caso se recusem a aderir ao bloqueio contra Cuba, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de combustível”, declarou.
Fernández de Cossío questionou os desdobramentos da medida: “O que virá a seguir?”. Para ele, a aceitação dessas exigências pode abrir um precedente perigoso. “Se essa exigência for aceita, inaugurará um novo e grotesco capítulo de vassalagem global, abrindo um caminho perigoso que ninguém sabe aonde levará e do qual nenhum Estado com qualquer noção de soberania poderá se sentir seguro”, afirmou.
O vice-ministro observou ainda que os efeitos da política vão além da ilha, embora recaíam principalmente sobre a população cubana. “O efeito vai além das fronteiras de Cuba, embora seja o nosso povo que há muito tempo enfrenta, com estoicismo, a cruel e criminosa guerra econômica do imperialismo”, declarou.


