Cuba conclui descarregamento de 100 mil toneladas de petróleo russo e inicia etapa de refino
Carga russa permitirá produção de gasolina, diesel e gás para setores críticos da economia cubana
247 - Cuba iniciou o refino de uma carga de 100 mil toneladas de petróleo russo, com o objetivo de garantir combustíveis essenciais e reforçar setores estratégicos da economia em meio à escassez e às restrições externas O governo cubano informou neste sábado (4) que concluiu a descarga de petróleo bruto transportado pelo navio russo Anatoly Kolodkin e deu início ao processo de refino do insumo. As informações foram divulgadas pela Sputnik Brasil.
Segundo comunicado oficial, a operação foi finalizada “com sucesso” e dentro do prazo estabelecido. “Foi concluída satisfatoriamente e dentro do prazo a descarga do navio russo Anatoly Kolodkin. Nos próximos dias começará o processo de refino das 100 mil toneladas de petróleo recebidas, como parte da ajuda solidária proveniente da Rússia”, informou o governo.
Refino para aliviar escassez de combustíveis
O petróleo será utilizado para a produção de derivados essenciais, como gás liquefeito de petróleo (GLP), gasolina, diesel e fuel oil. Esses produtos são considerados fundamentais para atender demandas urgentes da população e manter serviços essenciais em funcionamento.
De acordo com o vice-diretor da União Cuba-Petróleo (CUPET), Irenaldo Pérez Cardoso, o insumo será direcionado principalmente ao reforço do sistema elétrico. Usinas de geração distribuída em regiões como Moa, na província de Holguín, e Mariel, em Artemisa, além de áreas da capital Havana, estão entre as beneficiadas.
O GLP será destinado prioritariamente a serviços essenciais, como hospitais, enquanto a gasolina deverá aliviar temporariamente a escassez enfrentada pela população. Já o diesel será empregado sobretudo na geração de energia elétrica.
Capacidade de produção e distribuição
Segundo a CUPET, o volume recebido permitirá o refino de aproximadamente 730 mil barris de petróleo. A previsão é de que os primeiros derivados comecem a ser distribuídos a partir da segunda quinzena de abril.
Pérez Cardoso destacou ainda que o petróleo recebido é de boa qualidade e compatível com a infraestrutura de refino do país, que já possui experiência no processamento de cargas provenientes da Rússia.
Pressões externas e impacto das sanções
O envio ocorre em um contexto de tensões geopolíticas. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que autoriza a imposição de tarifas sobre importações de países que forneçam petróleo a Cuba.
As medidas de Washington intensificaram a escassez de combustíveis na ilha, afetando diretamente a geração de energia elétrica e setores estratégicos, como transporte, produção de alimentos, saúde e educação.
Diante desse cenário, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a política externa estadunidense, classificando-a como um “bloqueio energético” e condenando as restrições impostas ao país.


