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Cuba condena agressão dos EUA e pede mobilização internacional em defesa da Venezuela

Discurso do Presidente Díaz-Canel condena ataque militar, sequestro de Nicolás Maduro e alerta para riscos à paz regional

O Presidente cubano Díaz-Canel com as bandeiras de Cuba e Venezuela (Foto: Granma)

247 - O presidente de Cuba, Miguel Mario Díaz-Canel, fez neste sábado (3) um duro pronunciamento contra a agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela, classificando a ação como terrorismo de Estado e uma grave violação do Direito Internacional. O discurso foi pronunciado durante um ato político na Tribuna Anti-Imperialista José Martí, em Havana, em solidariedade ao povo venezuelano e ao presidente Nicolás Maduro, sequestrado junto com a primeira-dama, Cilia Flores.As declarações foram publicadas pelo jornal cubano Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, que divulgou a íntegra do discurso proferido por Díaz-Canel no evento realizado no contexto do “Ano do Centenário do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz”.

Logo no início de sua fala, Díaz-Canel recordou uma reflexão histórica de Fidel Castro sobre o imperialismo e a imprevisibilidade das superpotências. Ao citar o líder histórico da Revolução Cubana, o presidente afirmou que aquelas palavras seguem atuais diante do que chamou de “ataque brutal e traiçoeiro” das forças militares dos Estados Unidos contra a Venezuela. Segundo ele, trata-se também do “sequestro inaceitável, vulgar e bárbaro de nosso irmão, o presidente Nicolás Maduro, e sua companheira, Cilia Flores”.

Díaz-Canel declarou que Cuba condena e denuncia os acontecimentos como terrorismo de Estado, ressaltando que a ofensiva representa uma agressão direta contra a soberania venezuelana e contra toda a América Latina e o Caribe, região definida como Zona de Paz. Em tom enfático, afirmou: “Não aceitamos nem reconhecemos a Doutrina Monroe, nem reis ou imperadores ultrapassados. A terra de Bolívar é sagrada, e um ataque contra seus filhos é um ataque contra todos os filhos dignos de nossa América”.

O presidente cubano descreveu o ataque como covarde e criminoso, executado com abuso da supremacia militar e sob ordens de um líder estrangeiro. Ele qualificou a ação como expressão clara do fascismo contemporâneo. Em outro momento do discurso, mencionou Donald Trump, acusando-o de ignorar deliberadamente a verdade e de sustentar narrativas falsas para justificar a agressão.

Ao abordar o impacto internacional da ofensiva, Díaz-Canel alertou que a ameaça não se restringe à Venezuela. “Portanto, a ameaça não é apenas à Venezuela; a ameaça é contra toda a humanidade”, afirmou, ao criticar a doutrina da chamada “paz pela força”. Para ele, a agressão militar e o sequestro de um presidente legitimamente eleito configuram um precedente extremamente perigoso para a estabilidade regional e global.

O dirigente cubano também fez duras críticas às acusações de narcoterrorismo levantadas contra o governo venezuelano, afirmando que jamais foram apresentadas provas concretas. Segundo Díaz-Canel, análises de especialistas e informações provenientes de agências dos próprios Estados Unidos desmontam essa narrativa. “É profundamente revoltante que Trump, Rubio e seus comparsas não se importem com a verdade”, declarou, acrescentando que tais lideranças deveriam responder perante um tribunal antifascista internacional.

Em sua fala, Díaz-Canel sustentou que o verdadeiro interesse por trás da ofensiva é o controle das riquezas naturais da Venezuela, especialmente o petróleo. Ele afirmou que o objetivo estratégico do imperialismo é desmontar a Revolução Bolivariana, definida como um movimento de massas com profundas raízes populares, e enfraquecer um dos principais bastiões de resistência ao imperialismo na região desde a chegada de Hugo Chávez ao poder.

O presidente cubano expressou confiança na capacidade de mobilização do povo venezuelano, recordando a resistência popular ao golpe de Estado de abril de 2002. Para ele, os Estados Unidos não possuem qualquer autoridade moral ou legal para remover à força o presidente da Venezuela, mas são responsáveis pela integridade física de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, exigindo provas de que ambos estão vivos.

Encerrando o discurso, Díaz-Canel convocou os povos das Américas e a comunidade internacional a se posicionarem de forma clara diante do que classificou como barbárie imperial. Citando Che Guevara, lembrou que “o imperialismo não é confiável, nem um pouco”, e reafirmou a necessidade de unidade entre Cuba e Venezuela. Em meio a aplausos, concluiu com palavras de ordem em defesa da soberania, do socialismo e da integração latino-americana, reforçando que, diante do fascismo, “não são tempos de meias medidas, mas de definições e de tomar partido”.

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