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Lopez Obrador condena ataque à Venezuela e acusa Trump de agir como “tirano mundial”

Ex-presidente mexicano critica sequestro do presidente venezuelano e pede ao líder dos EUA que rejeite os “falcões” e respeite o direito internacional

López Obrador (Foto: Prensa Latina )

247 – O ex-presidente do México Andrés Manuel López Obrador (AMLO), que afirma estar retirado da política, divulgou uma mensagem dura condenando o que classificou como um “atentado prepotente à soberania do povo da Venezuela” e o “sequestro de seu presidente”, em referência à ofensiva atribuída aos Estados Unidos contra o país sul-americano. O pronunciamento, assinado por AMLO, foi publicado neste sábado e rapidamente repercutiu em círculos políticos e diplomáticos da América Latina.

Apesar de declarar que já não exerce atividade política institucional, AMLO afirmou que não poderia permanecer calado diante da gravidade do episódio. Em sua mensagem, ele escreveu: “Estou retirado da política, mas minhas convicções libertárias me impedem de calar diante do prepotente atentado à soberania do povo da Venezuela e do sequestro de seu presidente.” Em seguida, recorreu a símbolos históricos para sustentar sua crítica à conduta norte-americana: “Nem Bolívar nem Lincoln aceitariam que o governo dos Estados Unidos atuasse como uma tirania mundial.”

AMLO dirigiu-se diretamente ao presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, em um tom que mistura advertência estratégica e apelo moral. “Presidente Trump: não caia na autocomplacência nem escute o canto das sereias.” Na sequência, sugeriu que Trump se afaste dos setores mais belicistas do establishment de Washington: “Mande ao inferno os falcões; o senhor tem capacidade para agir com juízo prático.”

O ex-presidente mexicano também alertou para os riscos de uma vitória imediata se transformar, mais adiante, em derrota histórica e política. “Não se esqueça de que a efêmera vitória de hoje pode ser a contundente derrota de amanhã.” E concluiu esse trecho com uma frase de forte conteúdo doutrinário: “Política não é imposição.”

Ao longo do texto, AMLO insistiu que a crise deve ser enfrentada com base nos princípios do direito e da convivência pacífica entre as nações. Para reforçar sua visão, citou uma das máximas mais emblemáticas da história mexicana, atribuída ao presidente Benito Juárez, no século XIX: “Lembre-se de que ‘o respeito ao direito alheio é a paz’, como nos ensinou Benito Juárez no século XIX.”

Ele também reafirmou seu orgulho nacional e, ao mesmo tempo, reivindicou uma identidade regional latino-americana, associando sua crítica à defesa da soberania dos povos do continente. “Sou mexicano com muito orgulho, mas também latino-americano.”

Em um trecho com forte repercussão interna, AMLO declarou apoio explícito à presidente do México, Claudia Sheinbaum, reforçando unidade política diante do episódio e sinalizando continuidade em torno de uma postura soberanista. “Apoio incondicionalmente minha presidenta Claudia Sheinbaum.”

A mensagem termina com ironia e frieza calculada, invertendo a fórmula afetiva que marcou parte de sua comunicação política ao longo de anos. Em vez do tradicional “um abraço”, AMLO encerrou afirmando: “Por enquanto, não lhe mando um abraço.” E assinou: AMLO.

O pronunciamento do ex-presidente mexicano se soma às reações internacionais que vêm se intensificando diante da escalada de tensão na região. Pelo tom contundente, pelas referências históricas e pela cobrança direta a Trump, a declaração recoloca o México e a América Latina no centro do debate sobre soberania, legalidade internacional e os limites do poder militar como instrumento de política externa.

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