Espanha não reconhecerá governo imposto por Trump na Venezuela
Pedro Sánchez condena ataque dos EUA, afirma que ação “viola o direito internacional” e cobra desescalada para proteger civis
247 – O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou neste sábado, 3 de janeiro de 2026, que seu país não reconhecerá um governo imposto pela administração de Donald Trump na Venezuela, em referência direta à operação militar conduzida pelos Estados Unidos durante a madrugada, que, segundo o relato, incluiu bombardeios e o sequestro do presidente constitucional venezuelano, Nicolás Maduro Moros.
A informação foi publicada pela teleSUR, com base em agências de notícias, e repercute a reação do governo espanhol diante de um episódio que elevou abruptamente a tensão internacional e recoloca a América Latina sob risco de instabilidade, militarização e conflito aberto.
Ao comentar a ofensiva, Sánchez qualificou a ação norte-americana como uma ruptura grave das normas internacionais e alertou para as consequências regionais do ataque. “Viola o direito internacional e empurra a região a um horizonte de incerteza e belicismo”, afirmou o chefe do Executivo espanhol, numa crítica direta à conduta de Washington e aos seus efeitos sobre o equilíbrio político e diplomático no continente.
Além de condenar a intervenção, Sánchez fez um apelo para que todos os atores envolvidos considerem o impacto sobre a população civil e atuem sob os princípios do multilateralismo. “Que pensem na população civil” e “que respeitem a Carta das Nações Unidas”, disse ele, defendendo responsabilidade e desescalada em meio ao conflito.
A posição do governo espanhol foi reforçada em um comunicado do Ministério de Relações Exteriores, que pediu “desescalada e moderação” e insistiu que qualquer movimentação deve obedecer ao direito internacional e aos princípios da Carta da ONU. Segundo o texto, a Espanha também se declarou disposta a atuar diplomaticamente para evitar o aprofundamento da crise, oferecendo seus “bons ofícios” com o objetivo de favorecer uma solução pacífica e negociada.
A manifestação espanhola ocorre num momento em que diferentes países e forças políticas internacionais avaliam as consequências do ataque dos EUA, tanto pela dimensão militar quanto pelo impacto institucional, diante das acusações de que a operação teria resultado no sequestro do presidente constitucional venezuelano, o que aprofunda a percepção de ruptura do ordenamento jurídico internacional e de afronta à soberania do país sul-americano.
A repercussão interna na Espanha também foi imediata. A secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, ex-ministra de Direitos Sociais (2021-2023), defendeu uma reação ainda mais dura e propôs uma ruptura diplomática com Washington, classificando a ofensiva como uma ameaça global.
Em uma publicação na rede social X, Belarra escreveu: “Espanha deve romper relações com os EUA, porque é um perigo para o mundo e esta agressão imperialista e terrorista é inaceitável”. A dirigente enquadrou a operação como um ato de agressão que extrapola a disputa regional, por colocar em risco a paz internacional e por normalizar ações militares de imposição política.
A fala de Sánchez, por sua vez, busca situar a Espanha no campo da legalidade internacional e reforçar a importância de respostas baseadas em mecanismos diplomáticos e multilaterais, especialmente quando se trata de crises que atingem diretamente a América Latina. Ao enfatizar o respeito à Carta da ONU e a proteção de civis, o governo espanhol sinaliza que não aceitará reconhecer desdobramentos políticos derivados de uma intervenção militar denunciada como ilegal.
Num cenário de tensão crescente, a posição de Madri tende a reverberar entre outros governos europeus e organismos internacionais, sobretudo diante do risco de que o episódio abra precedente para novas ações unilaterais e para a intensificação da instabilidade em uma região historicamente marcada por disputas geopolíticas e ingerências externas.
Com a crise em evolução, a declaração de Pedro Sánchez representa um aviso político direto: a Espanha não pretende legitimar qualquer rearranjo institucional venezuelano que seja consequência de uma ação militar estrangeira descrita como violadora do direito internacional, nem aceitar a imposição de um governo por força de intervenção.



