Cuba homenageia 32 combatentes mortos durante ataque militar dos EUA contra a Venezuela (vídeo)
Presença de Raúl Castro, Díaz-Canel e autoridades ressalta o heroísmo em cerimônia marcada por emoção e mobilização popular
247 - Uma multidão tomou as ruas de Havana para se despedir dos 32 combatentes cubanos mortos no cumprimento de missão internacionalista na República Bolivariana da Venezuela. Sob chuva intensa e em clima de profunda comoção, homens, mulheres, jovens e idosos formaram longas filas ao longo da Avenida Rancho Boyeros e nas imediações do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (MINFAR), convertendo o luto coletivo em um ato de afirmação política, histórica e nacional.A cobertura original do tributo é do jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, que acompanhou passo a passo as cerimônias realizadas no Aeroporto Internacional José Martí e no MINFAR, além das manifestações populares e institucionais que marcaram o retorno dos combatentes à Pátria.
Desde as primeiras horas do dia, a chuva não impediu o fluxo constante de pessoas. Alguns depositavam flores, outros levavam a mão ao peito ou permaneciam em silêncio diante das imagens dos combatentes. Soldados prestavam continência militar, enquanto civis, com os rostos molhados, misturavam lágrimas e água da chuva. Mesmo com o salão principal lotado, uma multidão permaneceu do lado de fora, aguardando pacientemente para prestar homenagem.
O primeiro ato oficial ocorreu no Aeroporto José Martí, presidido pelo general do Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, e pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez. A cerimônia marcou a chegada das urnas com os restos mortais dos combatentes, mortos no dia 3 de janeiro durante a agressão militar contra a Venezuela.
Durante o tributo inicial, o ministro do Interior, general de Corpo de Exército Lázaro Alberto Álvarez Casas, fez um pronunciamento que sintetizou o tom da cerimônia. “Nesta manhã solene a Pátria está de luto e eleva. Reunimo-nos para receber em nosso solo irmãos que caíram longe de seu lar, mas não de seu dever”, afirmou. Segundo ele, o retorno dos combatentes reforça valores centrais da Revolução Cubana: “Não os recebemos com resignação, o fazemos com profundo orgulho e eterno compromisso.”Álvarez Casas destacou ainda o significado histórico da morte em combate. “Sabemos e o povo de Cuba aprendeu isso nas provas mais duras que a morte não derrota aqueles que caem com o fuzil na mão defendendo uma causa justa”, declarou. Para o ministro, os 32 combatentes não regressam como ausência, mas como presença permanente na memória nacional. “Regressam cobertos pela bandeira e ssa bandeira não representa uma ausência, consagra uma presença eterna”, disse, ao ressaltar que o exemplo dos mortos continuará a “reforçar, inflamar e comprometer” o povo cubano.
Ao lado de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel acompanhou cada momento da cerimônia, em um gesto que simbolizou a continuidade da liderança revolucionária e a centralidade do episódio para o Estado cubano. As imagens do tributo evidenciaram a sintonia entre a direção política do país e o sentimento popular que se espalhava pelas ruas de Havana.
Após o ato no aeroporto, teve início a caravana que levou as urnas ao MINFAR. No saguão Sierra Maestra, três coroas de flores brancas foram depositadas em nome de Raúl Castro Ruz, de Miguel Díaz-Canel Bermúdez, dos ministros das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, além dos familiares e do povo cubano. O gesto reforçou o caráter coletivo da homenagem, unindo Estado, Forças Armadas e sociedade civil.
A mobilização se estendeu às redes sociais, onde dirigentes e cidadãos expressaram solidariedade e exaltação do sacrifício dos combatentes. O coordenador dos Comitês de Defesa da Revolução, Gerardo Hernández Nordelo, escreveu: “Eles já estão na Pátria! Honra e Glória! Sempre em frente rumo à vitória!”. A professora universitária Marxlenin Pérez Valdés afirmou: “Em solo cubano jamais haverá espaço para covardia e traição! Honra e Glória!”.A psicóloga Mary Rodríguez também manifestou sua dor: “Choro novamente …. Hoje eles retornam à Pátria envoltos na bandeira cubana.” Já Ysabek Pérez Hernández destacou o valor histórico do sacrifício: “Histórias que emergem do silêncio, com um elevado senso de patriotismo, honra e responsabilidade no cumprimento de suas missões”, concluindo que “eles são heróis, sim” e que seu sangue está “gravado na história da humanidade”.
Combatentes cubanos feridos em confrontos anteriores também compareceram às cerimônias, prestando tributo aos companheiros mortos. O gesto reforçou a narrativa de fraternidade entre Cuba e Venezuela, países unidos por uma trajetória comum de cooperação e resistência. Segundo o relato oficial, os 32 combatentes tombaram durante a agressão militar promovida pelas forças dos Estados Unidos, sob ordens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em nota oficial, o governo cubano informou que todos os 32 combatentes serão promovidos postumamente em suas patentes militares, como reconhecimento pelo cumprimento do dever. As homenagens continuam em Havana e seguirão, nos próximos dias, para as demais províncias e municípios do país, encerrando um ciclo de despedidas marcado por forte emoção, solenidade institucional e reafirmação dos princípios que norteiam a Revolução Cubana.


