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Cuba reforça política de tolerância zero com tráfico de drogas

País afirma que não é rota do narcotráfico e destaca vigilância marítima e cooperação internacional para o enfrentamento ao tráfico

Cuba combate o narcotráfico (Foto: Granma)

247 - Cuba reafirmou nesta terça-feira (17), sua política de “tolerância zero” contra o tráfico de drogas e apresentou os principais resultados das ações realizadas ao longo de 2025, período em que foram apreendidos 1.941 quilos de entorpecentes associados a desembarques marítimos no litoral do país. As autoridades destacaram que o enfrentamento ao narcotráfico é tratado como questão estratégica de segurança nacional.

As informações foram divulgadas pelo jornal Granma, em reportagem assinada por Susana Antón, a partir de uma coletiva de imprensa com autoridades cubanas, incluindo representantes do Ministério da Justiça e do Ministério do Interior (Minint).

Durante o encontro com jornalistas, a ministra da Justiça, Rosabel Gamón Verde, afirmou que Cuba “não é produtora, centro de armazenamento ou território de trânsito” de drogas para terceiros países. Segundo a ministra, o Estado cubano mantém “firme vontade política” de combater o fenômeno com uma estratégia abrangente, que combina prevenção, controle e repressão, alinhada aos compromissos internacionais firmados pelo país. Ela ressaltou ainda que, após a aprovação da Constituição de 2019, Cuba atualizou normas penais e administrativas para aumentar o rigor no enfrentamento a crimes ligados ao tráfico e ao consumo de drogas.

Comissão Nacional de Drogas

A coletiva também destacou o papel da Comissão Nacional de Drogas, integrada por 13 órgãos, e que em 2025 foi ampliada com a incorporação permanente dos ministérios da Agricultura, Cultura, Turismo e Trabalho e Previdência Social. De acordo com as autoridades, a ampliação fortaleceu ações preventivas em escolas, centros de trabalho, unidades produtivas e comunidades.

Entre as medidas adotadas, foram mencionadas campanhas de comunicação, programas de reabilitação e reintegração social, além do fortalecimento técnico das forças especializadas e do uso de ciência e tecnologia para identificar novas substâncias.

Desembarques marítimos

O coronel Juan Carlos Poey Guerra, chefe da Unidade Especializada de Combate às Drogas do Minint, informou que em 2025 ocorreram 53 desembarques de drogas, o que levou à apreensão de maconha, cocaína e haxixe.

Segundo ele, parte significativa desses episódios ocorre porque traficantes descartam carregamentos no mar para escapar de perseguições em águas internacionais, fazendo com que os pacotes acabem chegando às costas cubanas.

Poey Guerra alertou que o canal marítimo é o principal vetor de impacto do narcotráfico no país, tanto por meio de embarcações de pequeno porte quanto por lanchas rápidas capazes de transportar grandes volumes.

Internamente, o coronel afirmou que foram apreendidos cerca de 76 quilos de drogas, com destaque para substâncias sintéticas, que vêm se expandindo no cenário internacional.O chefe da unidade especializada do Minint informou ainda que o laboratório do órgão identificou 46 tipos de canabinoides sintéticos circulando no país, fenômeno que se insere em um contexto global de diversificação de drogas sintéticas e opióides.O coronel acrescentou que, em 2025, Cuba frustrou 31 operações aéreas, resultando na apreensão de 27 quilos de drogas, incluindo cocaína, canabinoides sintéticos e metanfetamina. Segundo ele, essas substâncias vieram de aproximadamente 11 países, sendo os Estados Unidos a principal origem.Ele destacou ainda que, entre 2024 e 2025, foram frustradas 75 operações aéreas, com a apreensão de mais de 100 quilos de drogas.

Vigilância em mais de 5.700 km de litoral

O primeiro-coronel Ivey Daniel Carvallo Pérez, chefe de gabinete da Diretoria de Tropas da Guarda de Fronteira do Minint, ressaltou que Cuba possui mais de 5.700 quilômetros de litoral, além de uma geografia marítima complexa, o que exige vigilância permanente por meio de reconhecimento naval, terrestre e aéreo.

Carvallo Pérez explicou que o combate ao narcotráfico ocorre de forma coordenada entre o Ministério do Interior, as Forças Armadas Revolucionárias, a Alfândega Geral da República e outros órgãos. Ele também destacou a participação ativa da população na identificação e entrega de drogas encontradas em território cubano.

Para o oficial, o engajamento popular é decisivo para impedir que substâncias ilícitas se espalhem para o interior do país, reforçando o papel da conscientização cidadã como parte central do sistema de enfrentamento.

Interlocução com os EUA

As autoridades informaram que Cuba mantém intercâmbio de informações com 37 pontos de contato internacionais e com países da região, como Jamaica, México e Estados Unidos, além de participar de mecanismos multilaterais de cooperação contra o narcotráfico.

Carvallo Pérez também mencionou que o país realiza esse enfrentamento sob condições de bloqueio econômico e financeiro e afirmou que, apesar das limitações materiais, Cuba continuará aprimorando métodos, disciplina e preparo técnico.

Continuaremos a cumprir nosso dever, porque impedir que o território nacional e suas águas jurisdicionais sejam usados para o tráfico ilícito é um objetivo estratégico do Estado”, declarou.

Colaboração com Washington

Durante a coletiva, o coronel Poey Guerra reiterou a disposição de Cuba em continuar colaborando com o governo dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico, desde que sob os princípios da soberania e do respeito mútuo.

Ele afirmou que o tráfico de drogas é um fenômeno transnacional e que não pode ser enfrentado de forma isolada, defendendo a manutenção da cooperação operacional e técnica entre países.

Poey Guerra disse ainda que, sob a atual administração norte-americana, as trocas entre Cuba e Estados Unidos foram reduzidas a mensagens operacionais entre as tropas da Guarda de Fronteira cubana e a Guarda Costeira dos EUA. Ainda assim, ressaltou que Havana segue aberta à cooperação, desde que não haja condicionamentos políticos nem interferência na soberania nacional.

O coronel também destacou o papel de Cuba no controle marítimo regional, afirmando que o país atua “como um baluarte no mar” para impedir que carregamentos cheguem aos Estados Unidos.

Ao encerrar a apresentação, a ministra da Justiça reafirmou a posição do governo cubano: “Demonstramos que a segurança do povo e a proteção de nossas fronteiras não dependem da subordinação a qualquer outro país ou agenda estrangeira, mas sim da vontade política do país e de uma profunda articulação com nossas instituições e com o povo”.

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