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Delcy Rodríguez convoca união nacional pela paz e a soberania da Venezuela

Presidenta interina afirma que o único objetivo deve ser o país e destaca agenda legislativa voltada ao desenvolvimento, à paz e à independência nacional

Delcy Rodríguez reúne autoridades do Governo e do Parlamento (Foto: Assessoria de Imprensa da Presidência venezuelana )

247 - A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez nesta quarta-feira (7), um apelo à união nacional como caminho fundamental para preservar a paz, a soberania e a estabilidade do país em um momento que classificou como particularmente complexo. Em pronunciamento diante de autoridades do Executivo e do Legislativo, ela ressaltou que a defesa da independência nacional deve estar acima de qualquer diferença política.

Durante sua fala perante autoridades do Governo e do Legislativo, a presidenta afirmou: “o único princípio orientador em nossas ações políticas deve ser a Venezuela; que o único elemento comum a defender e preservar seja a soberania e a independência nacional”. informa a Telesur.

Segundo ela, a clareza sobre o significado da liberdade para os povos do mundo deve impulsionar um esforço coletivo. “Temos consciência do que significa liberdade para os povos do mundo. E essa clara consciência deve nos impelir a trabalhar em unidade nacional para que a Venezuela, neste momento complexo, nestes tempos perigosos, caminhe rumo a um futuro de desenvolvimento, paz e tranquilidade, em soberania, para garantir o futuro das nossas próximas gerações”, declarou.

Delcy Rodríguez contextualizou o início do novo ciclo legislativo como um momento excepcional da história recente do país. Ela afirmou que o processo ocorre “em uma situação política sem precedentes para a nossa República, devido à agressão militar ilegítima que o nosso país sofreu e o nosso povo foi atingido na madrugada de 3 de janeiro”, episódio que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, a deputada Cilia Flores.

Em discurso dirigido também aos deputados da oposição presentes no Palácio de Miraflores, a presidenta destacou que o momento exige consciência histórica e compromisso com valores essenciais do Estado venezuelano. “Temos a mais alta consciência do que significam a soberania da Venezuela, nossa integridade territorial e a independência nacional, que são virtudes superiores de uma república, de um país e de toda uma população”, afirmou, ao convidar todos a “aproveitar este momento para o encontro de venezuelanos e venezuelanas”.

Ao recordar orientações do presidente Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez enfatizou que o país atravessa “momentos muito delicados para sua estabilidade política, para a paz e para a integridade”, o que exige coordenação entre os poderes públicos. Nesse sentido, alertou para experiências passadas que, segundo ela, fragilizaram a soberania nacional. “Devemos assinalar, como venezuelanos e venezuelanas, o que significou ter, no ano de 2015, um Parlamento a serviço de poderes estrangeiros, que abonou o caminho para a agressão de 3 de janeiro de 2026”, declarou, acrescentando que tal postura “em nada coadjuvou a defesa da nossa soberania, da nossa dignidade e da nossa independência”.

A presidenta reforçou o valor simbólico e histórico da independência venezuelana. “Para os venezuelanos e as venezuelanas é o mais sagrado que pode haver: uma pátria livre e independente, porque levamos no sangue o sangue de nossos libertadores e de nosso Pai Libertador, Simón Bolívar. Não recebemos nossa independência e nossa liberdade de um papelucho. Ninguém nos deu. Nós batalhamos por elas com a espada de Bolívar”, afirmou, lembrando que a luta também contribuiu para libertar outras nações do colonialismo.

No campo legislativo e econômico, Delcy Rodríguez saudou a agenda apresentada pela presidência da Assembleia Nacional e defendeu a construção de um marco legal voltado ao desenvolvimento produtivo. Ela destacou que a economia venezuelana vem avançando na transição para um modelo produtivo, menos dependente da renda petrolífera, e apontou a necessidade de leis específicas, como a de Direitos Socioeconômicos e a atualização da legislação de mineração. “Coincidimos com as propostas que traz hoje o Parlamento venezuelano e queremos somar leis muito específicas”, disse, ao mencionar o potencial do país em ouro, bauxita, diamantes e terras raras.

Segundo Delcy Rodríguez, o objetivo dessas políticas não é favorecer elites, mas melhorar a qualidade de vida da população. “Não estamos pensando aqui no enriquecimento de uma elite; estamos pensando em como levar felicidade ao povo venezuelano, ao povo mais vulnerável que foi injustamente golpeado pelo bloqueio econômico criminal”, afirmou. Ela acrescentou que o desenvolvimento deve garantir educação, saúde e formação profissional: “Estamos pensando em como a economia se converte no motor do desenvolvimento nacional, mas também no motor da felicidade do nosso povo”.

A presidenta também abordou a diversificação das exportações e a política de importações, ressaltando que a exportação não petrolífera é um dos motores centrais da economia. Ao tratar das relações internacionais, comentou o estado das relações com os Estados Unidos, afirmando que existe “uma mancha em nossas relações que nunca havia existido” e que elas “não são extraordinárias nem regulares” no plano econômico e comercial. Ainda assim, destacou que a Venezuela mantém relações diversificadas em diferentes mercados globais.

“Aqueles que se excluíram do relacionamento com a Venezuela são os que se prestaram a agredir o nosso país. Não foi a Venezuela. Por isso tenho dito que a Venezuela não está em guerra. A Venezuela é um país de paz que foi agredido por uma potência nuclear”, declarou. Por fim, reafirmou que o país seguirá ampliando seus vínculos econômicos e produtivos em todo o mundo, com participação tanto do setor público quanto do privado, levando a produção nacional além das fronteiras como expressão da resistência e da identidade venezuelana.

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