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Delcy Rodríguez reafirma unidade bolivariana diante de ameaças à Venezuela

Presidenta interina destaca lealdade cívico-militar, anuncia defesa cibernética e novo sistema defensivo do país

Delcy Rodríguez apela por unidade para a defesa da pátria (Foto: Assessoria da Presidência venezuelana )

247 - A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país responderá às ameaças externas e internas com a união da Revolução Bolivariana e lealdade absoluta ao projeto nacional. A declaração foi feita durante a cerimônia solene em que ela recebeu as insígnias simbólicas de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), em um contexto descrito por ela como “extraordinário e complexo” para a nação.

O pronunciamento ocorreu nesta quarta-feira (28), durante ato oficial realizado no Pátio de Honra da Universidade Militar Bolivariana da Venezuela, informa a Telesur. Na ocasião, Rodríguez recebeu o Bastão de Comando e uma réplica da espada do Libertador Simón Bolívar, diante de cerca de 3.200 soldados e comandantes militares.

Em seu discurso, a presidenta interina afirmou que o povo venezuelano enfrentou, em 3 de janeiro, uma grave agressão militar externa. Segundo ela, a resposta do país deve estar ancorada na força popular e na unidade política. “Responderemos com a unidade de nossa Revolução Bolivariana em absoluta lealdade”, declarou, ao mencionar os “inimigos da pátria” que, segundo suas palavras, tentam condenar o país às trevas.

Ainda no início da cerimônia, Delcy Rodríguez dirigiu-se diretamente aos militares presentes e destacou o papel estratégico das novas gerações. “Cabe à juventude militar garantir o futuro esplêndido de uma pátria livre e independente”, afirmou. Ela também saudou representantes dos poderes do Estado, integrantes do Executivo e os filhos do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ressaltando que participava do ato como “uma humilde venezuelana”.

Durante o pronunciamento, Rodríguez prestou homenagem às pessoas que morreram nos acontecimentos de 3 de janeiro e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. Ao evocar a figura histórica de Simón Bolívar, destacou que o Libertador foi um líder marcado tanto por vitórias quanto por derrotas. Em seguida, fez um apelo direto aos integrantes das FANB: “Peço-lhes que esse mesmo espírito do Libertador se apodere de vocês para abrir os novos caminhos para defender a pátria”.

No campo institucional, a presidenta interina anunciou a criação do Escritório Nacional de Defesa e Segurança Cibernética da Venezuela, com o objetivo de proteger o espaço digital do país. Ao recordar os eventos de 3 de janeiro, ela mencionou a experiência de uma “batalha desigual”, acrescentando que esse cenário já foi reconhecido publicamente por autoridades dos Estados Unidos.

Rodríguez também informou o relançamento de iniciativas voltadas ao fortalecimento da justiça social no âmbito militar e policial. Segundo ela, as ações buscam “sanar as feridas” provocadas pela guerra econômica, com prioridade para áreas como saúde, moradia e seguridade social dos profissionais responsáveis pela defesa da soberania nacional.

Ao destacar a disposição do Executivo para o diálogo, evidenciada no lançamento do Programa de Convivência Democrática e da Paz, a presidenta interina estabeleceu um prazo de 100 dias para a reorganização estratégica da defesa nacional. 

O ato contou ainda com pronunciamentos do vice-presidente setorial de Defesa e Soberania e ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e do ministro do Poder Popular para Relações Interiores, Justiça e Paz, Diosdado Cabello. Padrino López recordou que, após a agressão militar e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça reconheceu Delcy Rodríguez como presidenta interina para garantir a governabilidade, a estabilidade e a paz cidadã, evitando qualquer vazio de poder.

Já Diosdado Cabello citou uma passagem do Discurso de Angostura, de Simón Bolívar: “A unidade da pátria é o único caminho para a paz”. Para ele, a defesa da continuidade do governo e da integridade do povo, em fusão popular, militar e policial, é um dever constitucional. Cabello afirmou que, diante do ataque à soberania venezuelana e do sequestro do presidente e da primeira-dama, o país responde com a unidade legada por Hugo Chávez: unidade, luta, batalha e vitória.

Ao encerrar sua fala, Cabello reforçou o compromisso das forças de segurança com a ordem constitucional e com a presidenta interina. “Não permitiremos que nenhuma circunstância ou ameaça, por mais difícil que seja, seja usada para semear o caos em nossa terra”, declarou, ao reafirmar a “lealdade absoluta” das forças de segurança à Constituição e ao governo em exercício.

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