Democratas pedem impeachment de Trump após ataque dos EUA à Venezuela
Parlamentares questionam ofensiva militar, falta de aviso ao Congresso e falam em violação da Constituição americana
247 - Um grupo de parlamentares do Partido Democrata nos Estados Unidos reagiu às recentes ações militares ordenadas pelo governo norte-americano contra a Venezuela. Os congressistas criticaram o bombardeio a diferentes localidades do país sul-americano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, operações realizadas sem comunicação prévia ao Congresso, o que aprofundou a crise política em Washington.
A informação foi divulgada originalmente pela teleSUR, que acompanhou as reações no Capitólio e detalhou o posicionamento de líderes democratas diante da decisão tomada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Para os parlamentares, a ausência de informações ao Legislativo em um tema de alta relevância para a política externa representa uma ruptura institucional grave.
A liderança democrata no Congresso passou a exigir explicações formais do Executivo. Em comunicado conjunto, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, e o líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, solicitaram que os congressistas fossem informados “a princípios da próxima semana” sobre os fundamentos e as consequências da ação militar.
No mesmo sentido, Gregory Meeks, principal representante democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, afirmou não ter recebido qualquer aviso antecipado. “Nesse momento, recebi toda a informação pelos meios de comunicação”, declarou, ao criticar a condução do governo em um episódio de grande impacto internacional.
O tom das críticas se intensificou com manifestações que defendem a abertura de um processo de impeachment. A deputada Delia Ramirez divulgou uma nota afirmando que “Trump deve ser submetido a um juízo político” e anunciou a apresentação de uma resolução para limitar os poderes presidenciais em assuntos de guerra. Já o congressista Dan Goldman classificou a operação como uma afronta direta à ordem constitucional. “Essa violação da Constituição dos Estados Unidos é um delito que pode dar lugar a um juízo político”, afirmou.
Outros parlamentares democratas também atacaram o plano apresentado pela Casa Branca. Jared Huffman descreveu a iniciativa como “verdadeiramente insana” e disse que o país estaria entrando no terreno da 25ª Emenda da Constituição, mecanismo que permite afastar um presidente por incapacidade, com participação do gabinete.
As dúvidas não se restringiram ao campo democrata. No Partido Republicano, o deputado Brian Fitzpatrick também demonstrou desconforto com a estratégia anunciada pelo governo. Ao comentar a ideia de que os Estados Unidos “assumiriam” a condução da Venezuela, afirmou que “o único país que os Estados Unidos deveriam ‘dirigir’ são os próprios Estados Unidos da América”.
Em resposta às críticas, Donald Trump declarou que o Congresso não foi informado previamente porque “tem tendência a filtrar” informações sensíveis. O presidente também afirmou ter pedido aos meios de comunicação que não divulgassem nada antes da ofensiva, sob o argumento de não colocar em risco as tropas norte-americanas.



