Em contraposição a Trump, China garante que "sempre será uma boa amiga da América Latina"
Chancelaria chinesa reafirma política de não interferência, cooperação igualitária e rejeição à hegemonia em meio à disputa geopolítica com os EUA
247 - A China reforçou nesta segunda-feira (5) sua posição estratégica em relação à América Latina e ao Caribe ao afirmar que manterá, independentemente do cenário internacional, uma relação de amizade e parceria com os países da região. A declaração é interpretada como um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de intensificação da disputa entre Pequim e Washington por influência política, econômica e diplomática no continente latino-americano.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, a política chinesa para a região “mantém continuidade e consistência” e não será alterada por mudanças no ambiente internacional. A chancelaria destacou que o país asiático “sempre será um bom amigo e um bom parceiro dos países da América Latina e do Caribe”, enfatizando princípios como respeito à soberania nacional, não interferência em assuntos internos e cooperação baseada na igualdade e no benefício mútuo.
A manifestação oficial foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que ressaltou que Pequim “defende o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países, respeita a escolha dos povos latino-americanos e caribenhos e nunca traça linhas com base em diferenças ideológicas”. O comunicado acrescenta que os intercâmbios e a cooperação entre China e América Latina “não buscam esferas de influência e não têm como alvo nenhuma parte”.
No texto, a diplomacia chinesa também afirma que está pronta para trabalhar com os países da América Latina e do Caribe que mantêm relações diplomáticas com Pequim para aprofundar a confiança estratégica mútua. Segundo a chancelaria, esse esforço inclui “oferecer compreensão e apoio recíprocos em questões relacionadas a interesses centrais e grandes preocupações”, como soberania nacional, segurança e integridade territorial.
A China destacou ainda o apoio mútuo entre os países na busca por caminhos de desenvolvimento adequados às condições nacionais de cada Estado e reiterou sua oposição à hegemonia e à política de poder. “A China está pronta para trabalhar com os países da região para se opor ao hegemonismo e à política de força”, afirmou o ministério no comunicado.
A declaração ocorre em um contexto de crescente rivalidade entre China e Estados Unidos na América Latina, região que historicamente esteve sob forte influência de Washington. Nos últimos anos, Pequim ampliou significativamente sua presença por meio de investimentos em infraestrutura, comércio, energia e financiamento, consolidando-se como um dos principais parceiros econômicos de diversos países latino-americanos.
Esse movimento tem sido acompanhado por reações do governo dos Estados Unidos, que, sob a liderança de Donald Trump, tem adotado uma postura mais agressiva para conter a expansão chinesa no continente. A recente ofensiva militar norte-americana contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro aprofundaram esse cenário de tensão e reforçaram o debate sobre soberania, ingerência externa e equilíbrio de poder na região.
Ao reafirmar seu compromisso com a América Latina e o Caribe, a China busca projetar uma imagem de parceria estável e respeitosa, em contraste com ações unilaterais e intervenções militares que têm marcado a política externa dos Estados Unidos no continente.



