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'Nenhum país pode agir como polícia internacional', afirma chanceler da China

China critica ataque dos EUA à Venezuela e rejeita papel de polícia internacional

Wang Yi (Foto: fmprc.gov.cn)

247 - O governo da China condenou de forma enfática o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e rejeitou qualquer tentativa de um país se colocar como “polícia” ou “juiz” da comunidade internacional. A posição foi expressa pelo ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, ao comentar a agressão militar dos EUA ao país sul-americano.

Ao tratar do tema, Wang Yi ressaltou que a postura adotada pelos Estados Unidos contraria princípios básicos do direito internacional e ameaça a estabilidade global, aponta reportagem do RT Brasil.

Não acredito que nenhum país possa agir como polícia internacional, nem concordo que um país possa reivindicar ser juiz internacional”, afirmou Wang Yi, em crítica direta à ação norte-americana contra a Venezuela. Segundo ele, a soberania e a segurança de todos os Estados “devem ser plenamente protegidas pelo direito internacional”.O ministro destacou ainda que a China mantém uma posição histórica contrária ao uso da força nas relações entre países. De acordo com Wang Yi, Pequim sempre se opôs “ao uso ou ameaça do uso da força nas relações internacionais e à imposição da vontade de um país sobre outros”, reforçando a defesa de soluções diplomáticas e multilaterais para conflitos internacionais.

Ao analisar o contexto global, o chanceler chinês observou que práticas de assédio unilateral vêm se intensificando em um cenário internacional marcado por instabilidade e alto grau de interligação entre as nações. Nesse ambiente, segundo ele, a ação contra a Venezuela provocou “grande preocupação” na comunidade internacional.

As declarações foram feitas durante um encontro entre Wang Yi e o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, realizado em Pequim no domingo (4). Na reunião, o representante chinês afirmou que seu país está disposto a continuar trabalhando em conjunto com outras nações para defender os princípios da Carta das Nações Unidas, a soberania e a igualdade entre os Estados, além de preservar a paz e o desenvolvimento mundial.

Após o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, a China condenou formalmente o uso da força pelos Estados Unidos, classificando a ação como uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana. Pequim também instou pela libertação “imediata” dos sequestrados e pela “suspensão da derrubada do governo da Venezuela”.

Na véspera da ofensiva contra Caracas, Nicolás Maduro havia recebido no Palácio de Miraflores uma delegação da República Popular da China, liderada por Qiu Xiaoqi, representante especial de Pequim para Assuntos da América Latina e do Caribe. O encontro teve como objetivo revisar o mapa da cooperação estratégica entre os dois países, em um momento de crescente pressão internacional sobre o governo venezuelano.

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