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Desaprovação de Milei supera 60% e crise de imagem se aprofunda

Rejeição ao governo Milei ultrapassa 60% enquanto denúncias de corrupção e impacto econômico agravam percepção negativa

Presidente da Argentina, Javier Milei 21/01/2026 REUTERS/Denis Balibouse (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - A desaprovação de Milei supera 60% e evidencia o aprofundamento da crise de imagem de seu governo, em meio ao avanço das denúncias de corrupção e ao impacto direto das medidas econômicas na população.

De acordo com informações divulgadas pela Telesur, com base em pesquisa da consultoria Zentrix, a desaprovação ao governo de Javier Milei alcançou 60,6% em abril, um aumento significativo em relação aos 53,3% registrados em março. A pesquisa ouviu cerca de 1.600 pessoas entre os dias 11 e 18 de abril, com margem de erro de ± 2,48%.

Os dados mostram uma queda contínua na aprovação do presidente argentino, que passou de 44,4% em fevereiro para 38,5% em março e atingiu 33,1% em abril. Paralelamente, cresce a percepção negativa sobre sua gestão, impulsionada por questionamentos à política econômica, investigações envolvendo integrantes do governo e suspeitas de corrupção, incluindo o chamado escândalo da Libra.

Perda do discurso “antissistema”

Eleito em 2023 com um discurso contrário à elite política tradicional, Milei vê agora sua imagem associada ao próprio sistema que criticava. Segundo a pesquisa, 66,6% dos entrevistados consideram que o presidente se tornou parte do “establishment”, indicando uma perda significativa de capital político e simbólico.

O levantamento também revela que 60,2% dos entrevistados acreditam que as denúncias de corrupção refletem um problema generalizado dentro do governo. A consultoria Zentrix destacou que a corrupção passou a ser percebida como o principal desafio do país, superando temas como inflação, desemprego e salários, inclusive entre eleitores que apoiaram o governo.

Impacto econômico pressiona famílias

A deterioração da imagem do governo ocorre em paralelo ao agravamento da situação econômica das famílias argentinas. Segundo a pesquisa, 81,6% dos entrevistados afirmaram ter reduzido algum tipo de gasto nos últimos seis meses.

Entre eles, 28,8% cortaram despesas básicas, como alimentação, saúde e serviços essenciais; 24,9% diminuíram compras habituais do lar; e 27,7% reduziram gastos com lazer e consumo não essencial. Apenas 17,8% disseram não ter feito ajustes financeiros.

Outro dado relevante aponta que 86,6% dos entrevistados sentem que seus salários não acompanham a inflação, enquanto 60,4% afirmam que a renda mensal não é suficiente para chegar ao fim do mês, limitando-se, em média, até o dia 20.

Denúncias e desgaste político

O desgaste do governo também está relacionado a investigações envolvendo o chefe de gabinete, Manuel Adorni, cuja imagem negativa chega a 73,9%. As denúncias incluem gastos elevados em viagens internacionais e aquisição de propriedades, atualmente sob investigação judicial.

A consultoria Zentrix observou que há uma crescente percepção de contradição entre o discurso original do governo e sua atuação prática. Apesar de Milei ainda manter uma base fiel de apoio, fora desse núcleo a avaliação social se tornou mais crítica.

Ajuste fiscal e fragilidade econômica

No campo econômico, o governo tem destacado o superávit fiscal alcançado no primeiro trimestre de 2026. No entanto, análises apontam contradições nesse resultado. Segundo o jornal Página 12, citado pela Telesur, o superávit ocorre em um cenário de queda real na arrecadação, aumento da dívida e cortes em áreas essenciais.

Dados do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas (IPYPP) indicam que a receita do setor público caiu 5,1% em termos reais na comparação anual, enquanto as despesas foram reduzidas em 5,4%. Ainda assim, o governo registrou superávit financeiro equivalente a 0,2% do PIB.

Especialistas alertam que o modelo atual, baseado em cortes profundos e pressão fiscal alinhada a metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pode ser difícil de sustentar a longo prazo, sobretudo diante do impacto social crescente e da desaceleração econômica.

Contexto internacional e posicionamento político

Enquanto enfrenta desafios internos, Milei também tem intensificado sua atuação internacional. Recentemente, o presidente viajou a Israel, onde assinou os chamados Acordos de Isaac, considerados uma extensão latino-americana dos Acordos de Abraão, além de reafirmar apoio ao governo de Benjamin Netanyahu e à condução da guerra, em discursos criticados por setores que defendem soluções diplomáticas.

O cenário aponta para um momento de forte tensão política, econômica e social na Argentina, com indicadores que refletem desgaste crescente do governo e desafios estruturais que tendem a influenciar os próximos anos da gestão.

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