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Governo Trump avalia rever posição dos EUA sobre Ilhas Malvinas

E-mail interno do Pentágono cita medida em retaliação à falta de apoio da Otan às agressões ao Irã

A costa da Ilha West Falkland, nas Ilhas Malvinas, é vista a partir de um avião (Foto: REUTERS/Marcos Brindicci/Foto de arquivo)

247 - O vazamento de um e-mail interno do Pentágono reacendeu nesta sexta-feira (24) o debate sobre a soberania das Ilhas Malvinas, território administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina. O documento menciona, de acordo com a agência Reuters, possíveis medidas de retaliação dos Estados Unidos contra países da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) que, na avaliação de Washington, não teriam apoiado de forma suficiente as agressões contra o Irã.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, entre os citados estariam a Espanha e o Reino Unido. No caso britânico, o material indicaria a possibilidade de revisão da posição dos Estados Unidos sobre a soberania das Ilhas Malvinas, conhecidas no Reino Unido como Falklands.

Pressão sobre aliados da Otan

O e-mail interno sugere que países aliados poderiam ser alvo de sanções ou mudanças de posicionamento diplomático. A Espanha poderia sofrer restrições em sua participação na aliança militar ocidental, enquanto o Reino Unido teria sua posição sobre as Malvinas reavaliada por Washington.

Questionado sobre o conteúdo, o secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, repetiu o discurso do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que aliados da Otan não teriam sido suficientemente cooperativos em relação às ofensivas militares no Oriente Médio.

Wilson afirmou ainda: "Apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram por nossos aliados da Otan, eles não estiveram presentes para nós". Ele acrescentou que o Departamento de Guerra "garantirá que o presidente tenha opções viáveis para assegurar que nossos aliados deixem de ser apenas figuras decorativas e passem a fazer a sua parte".

Tensão entre Estados Unidos, Reino Unido e aliados

O episódio ocorre em meio a divergências entre Washington e governos europeus. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, teria adotado uma posição considerada ambígua em relação ao apoio às agressões dos EUA na guerra contra o Irã, o que teria ampliado as tensões com a Casa Branca.

O presidente Donald Trump também tem feito críticas públicas ao governo britânico, incluindo ataques diretos ao premiê e à postura militar do Reino Unido no conflito.

Repercussão sobre as Malvinas

O site do Departamento de Estado dos Estados Unidos mantém a posição de que a questão das Ilhas Malvinas deve ser resolvida diretamente entre Argentina e Reino Unido. O governo estadunidense reconhece a administração britânica do território, mas afirma não tomar posição sobre a soberania.

O vazamento do e-mail ocorre em um momento de relações distintas de Washington com Buenos Aires. O governo do presidente Javier Milei mantém alinhamento político com Donald Trump e recebeu recentemente apoio financeiro dos Estados Unidos.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, voltou a defender a retomada de negociações com o Reino Unido e afirmou que a Argentina considera a presença britânica nas ilhas como resultado de uma ocupação histórica iniciada no século 19.

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