Pentágono avalia punir a Espanha com suspensão da OTAN
Ação punitiva dos Estados UNidos se relaciona com divergências sobre a guerra contra o Irã
247 - Um e-mail interno do Pentágono revela que os Estados Unidos avaliam medidas para pressionar aliados da OTAN após divergências relacionadas à guerra contra o Irã, incluindo a possibilidade de suspender a Espanha da aliança e revisar posições diplomáticas envolvendo países europeus. As propostas refletem a insatisfação do governo Donald Trump com a falta de apoio militar de parceiros europeus em operações estratégicas.
Segundo a agência Reuters, que revelou o conteúdo com base em um funcionário americano, o documento expressa frustração com a relutância de aliados em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo — conhecidos como ABO — considerados essenciais para as operações militares dos EUA no conflito com o Irã.
Pressão sobre aliados e tensões na OTAN
De acordo com a fonte ouvida pela Reuters, o e-mail descreve opções para responsabilizar países considerados “difíceis”, incluindo sua exclusão de posições relevantes dentro da OTAN. A avaliação ocorre em meio a críticas públicas de Donald Trump aos aliados europeus, especialmente pela ausência de apoio naval no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que foi fechada após o início da guerra aérea em 28 de fevereiro.
Em entrevista concedida à Reuters em 1º de abril, Trump questionou a postura dos parceiros da aliança. “Você não faria o mesmo se estivesse no meu lugar?”, afirmou, ao ser perguntado sobre a possibilidade de os Estados Unidos deixarem a OTAN.
Apesar das tensões, o e-mail não propõe a retirada dos EUA da aliança nem o fechamento de bases militares na Europa. No entanto, o funcionário ouvido não confirmou se há planos para redução do contingente militar americano no continente, uma medida considerada provável por analistas.
Espanha e Reino Unido no centro das discussões
A Espanha aparece como um dos principais alvos das propostas, após seu governo sinalizar que não permitiria o uso de bases e espaço aéreo para ataques contra o Irã. Os Estados Unidos mantêm instalações militares estratégicas no país, como a base naval de Rota e a base aérea de Morón.
Segundo o documento, a suspensão da Espanha teria impacto limitado nas operações militares, mas representaria um gesto simbólico relevante dentro da OTAN. Ainda não está claro, porém, se existe um mecanismo formal dentro da aliança que permita tal medida.
O texto também menciona a possibilidade de revisar o apoio diplomático dos EUA a territórios europeus considerados “possessões imperiais”, como as Ilhas Malvinas, administradas pelo Reino Unido, mas reivindicadas pela Argentina. O tema remete ao conflito de 1982 entre os dois países.
Críticas e divisão entre aliados
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã intensificou os questionamentos sobre o futuro da OTAN, segundo analistas e diplomatas citados pela Reuters. Países como Reino Unido e França argumentam que participar diretamente de um bloqueio naval contra o Irã significaria entrar no conflito, embora admitam colaborar na segurança da região após um eventual cessar-fogo.
Autoridades do governo Trump, no entanto, têm insistido que a OTAN não pode funcionar de forma unilateral. Um porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, reforçou a posição oficial ao comentar o conteúdo do e-mail: “Como o presidente Trump disse, apesar de tudo que os Estados Unidos fizeram por seus aliados da OTAN, eles não estiveram lá por nós.”
Wilson acrescentou: “O Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções críveis para assegurar que nossos aliados deixem de ser um tigre de papel e passem a fazer sua parte.”
Impactos estratégicos da crise
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou recentemente que o conflito expôs fragilidades na aliança. Segundo ele, os mísseis de longo alcance do Irã não atingem o território americano, mas representam risco direto para a Europa.
“Recebemos questionamentos, obstáculos ou hesitações... Você não tem muita aliança se há países que não estão dispostos a ficar ao seu lado quando você precisa deles”, declarou Hegseth.
A crise evidencia divisões internas na OTAN e levanta dúvidas sobre o grau de comprometimento entre seus membros, em um momento considerado decisivo para a segurança internacional e para o futuro da aliança militar de 76 anos.


