Diálogo com mídia independente reforça solidariedade a Cuba
Em São Paulo, embaixador cubano denuncia impactos do bloqueio dos EUA e conclama solidariedade com a ilha
247 - O diálogo com a mídia independente e a construção de solidariedade a Cuba marcaram um encontro em São Paulo, em que o embaixador Victor Cairo denunciou os impactos do bloqueio dos Estados Unidos e defendeu maior atenção à realidade da ilha.
Diretores, editores e jornalistas de veículos progressistas se reuniram na noite de quinta-feira (9), na Casa Carlito Maia, sede do Armazém do Campo, no centro da capital paulista, para conversar com o novo embaixador de Cuba no Brasil. Victor Cairo, que assumiu o posto há cerca de um mês, apresentou um panorama da situação no país e criticou duramente o bloqueio norte-americano. O Brasil 247 foi representado pelo editor internacional, José Reinaldo Carvalho e o jornalista Mário Vítor Santos.
Denúncia dos impactos do bloqueio
Durante a exposição, o embaixador caracterizou o bloqueio como uma forma contínua de agressão. “O bloqueio é uma agressão sem bombas, uma situação de guerra, durante mais de 60 anos, agora agravado pelo bloqueio energético”, afirmou. Segundo ele, o país adota medidas excepcionais para garantir seu funcionamento.
Victor Cairo explicou que Cuba enfrenta limitações estruturais na geração de energia. “Cuba só produz 30% da energia de que necessita”.
Ele também relatou os efeitos no cotidiano da população. “A capital sofre 16 horas de apagão por dia, e o número de horas é maior em outras cidades”, afirmou, ao descrever as dificuldades enfrentadas no fornecimento de energia.
Condenação internacional
O diplomata classificou o bloqueio como uma violação do direito internacional. “O bloqueio é uma violação do Direito Internacional, um ato de genocídio porque ataca a sbrevivência do povo”, declarou. Ele também mencionou ameaças externas. “Trump ameaça atacar. Somos pela paz mas nos preparamos para nos defender de um ataque militar.”
Victor Cairo criticou ainda a inclusão de Cuba na lista de países supostamente patrocinadores do terrorismo, apontando que a medida busca “fomentar a contrarrevolução”.
Para ele, a rejeição ao bloqueio deve ser tratada como uma causa ampla. “O rechaço ao bloqueio não é um tema ideológico. Cuba precisa de solidariedade, política e efetiva”, afirmou.
Papel do Brasil
No encontro, o embaixador destacou o papel do Brasil no cenário internacional. “O Brasil tem força para liderar uma iniciativa global para apoiar Cuba”, disse.
Ele também associou a política dos Estados Unidos a mudanças geopolíticas. “Perda da capacidade hegemônica dos EUA. Isto está por trás das agressões”, afirmou.
Ao final, reforçou o sentido político da solidariedade à ilha. “Defender Cuba é defender a paz e a América Latina”, declarou, acrescentando que “a resistência de Cuba é resistência criativa. Resistir e resolver os problemas”.


