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Presidente de Cuba defende soberania da ilha e diz que não deixará o cargo por pressão dos EUA

Díaz-Canel reiterou que as negociações entre Havana e Washington devem ser feitas em condições de igualdade

Miguel Diaz-Canel, 20 de março de 2026 (Foto: Adalberto Roque/Pool via REUTERS)

247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que não pretende deixar o cargo por pressão dos Estados Unidos e defendeu a abertura de negociações em condições de igualdade. As declarações foram feitas na quinta-feira (9), em entrevista à emissora NBC. Na conversa, o líder cubano disse que eventuais decisões sobre sua permanência no poder cabem exclusivamente à população do país.

Segundo a AFP, a entrevista ocorre em meio a tratativas entre Havana e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde o início do ano, Washington impôs um bloqueio criminoso ao fornecimento de petróleo para a ilha, medida que gerou críticas internacionais, inclusive de organismos como as Nações Unidas.

Autoridades da Casa Branca têm feito declarações públicas críticas ao governo cubano, enquanto mantêm contatos diretos com representantes da ilha. O secretário de Estado, Marco Rubio, passou a liderar as negociações e defendeu mudanças políticas no país.

Apesar do cenário de pressão, o governo dos EUA autorizou, no fim de março, o desembarque de petróleo transportado por um navio russo. A carga chegou após um período de três meses sem fornecimento à ilha, aliviando temporariamente a crise energética decorrente da pressão estadunidense.

Crise energética

De acordo com analistas, o envio do combustível deve garantir algumas semanas adicionais de abastecimento. Ainda não há definição sobre a continuidade desse tipo de operação.

A crise energética decorre do bloqueio recente de petróleo e do embargo econômico ilegal imposto pelos Estados Unidos desde 1962. Díaz-Canel também criticou a posição de Washington, afirmando que o país não possui legitimidade para interferir nos assuntos internos de Cuba.

Na entrevista, o presidente reiterou a disposição para dialogar sem imposições. "Pedimos [...] para debater sobre qualquer tema sem nenhuma condição", declarou, ao defender que o mesmo princípio seja aplicado nas relações entre os dois países.

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