Em contagem voto a voto, Roberto Sánchez lidera apuração no Peru com vantagem estreita
Roberto Sánchez aparece à frente de Keiko Fujimori com 97,9% das atas contabilizadas, mas ainda há incerteza quanto ao resultado
247 - Roberto Sánchez, candidato do partido progressista Juntos pelo Peru, lidera a apuração da eleição presidencial peruana com 97,9% das atas contabilizadas, em uma disputa marcada por margem mínima contra Keiko Fujimori, da direitista Força Popular. A diferença entre os dois era na noite de quarta-feira (10), de quase 10 mil votos, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, a ONPE.
As informações são da teleSUR, com base em dados oficiais do sistema eleitoral peruano. O resultado definitivo ainda dependia da análise de atas observadas, da incorporação de votos vindos do exterior e da proclamação final pela Junta Nacional Eleitoral, a JNE, prevista para 15 de julho.
A eleição define quem governará o Peru no período de 2026 a 2031, em meio a um cenário de forte instabilidade institucional. O país atravessou uma década marcada por sucessivas crises políticas, com oito presidentes no período e constantes disputas entre o Executivo e o Parlamento.
Com a contagem ainda inconclusa, o quadro permanecia aberto. Embora Sánchez aparecesse à frente na apuração geral, a quantidade de atas pendentes e o peso do voto no exterior mantinham a possibilidade de reversão do resultado. Segundo o relatório citado, tanto Sánchez quanto Fujimori ainda tinham chances matemáticas de vencer.
A definição da eleição depende do processamento das atas que ainda não haviam sido incorporadas ao total oficial. O sistema eleitoral peruano informava que restavam pouco mais de 120 atas ordinárias a serem processadas, cerca de 100 atas observadas e aproximadamente 720 atas provenientes do exterior.
Esse último grupo era considerado decisivo, pois analistas locais estimavam que os votos de peruanos residentes fora do país tenderiam a favorecer Keiko Fujimori. Com 67,4% dos votos do exterior já apurados, Fujimori somava cerca de 130 mil votos, enquanto Roberto Sánchez registrava aproximadamente 80 mil.
Além das atas estrangeiras, a disputa também dependia da validação dos votos observados. A estimativa apontava que entre 250 mil e 320 mil votos poderiam estar vinculados a folhas de apuração pendentes de análise. Esses documentos passariam por relatórios, avaliações e deliberações dos órgãos eleitorais responsáveis.
Atas contestadas
A Junta Nacional Eleitoral e os júris eleitorais especiais avançavam na revisão dos documentos questionados para determinar quais votos seriam considerados válidos e quais seriam excluídos da contagem formal. Entre 37 e 40 folhas de apuração deveriam entrar em processo de recontagem física dos votos.
O procedimento deve se estender por várias semanas devido aos prazos legais previstos na legislação eleitoral peruana. A JNE estimou que a proclamação oficial dos resultados finais e totais ocorreria em 15 de julho.
Diante da tensão política e da disputa acirrada, o órgão eleitoral pediu serenidade aos cidadãos, às organizações políticas e às figuras públicas. Em comunicado, a JNE afirmou: "O JNE insta os cidadãos, as organizações políticas e as figuras públicas a manterem a calma e a aguardarem, de forma responsável, a conclusão das etapas estabelecidas pela lei eleitoral para a segunda eleição presidencial".
Sánchez cobra respeito ao resultado
Roberto Sánchez também se manifestou em meio à reta final da apuração. O candidato acusou a empresa local de pesquisas Ipsos de "querer distorcer" o resultado do segundo turno e pediu "energicamente" que a vontade popular fosse respeitada.
A eleição peruana ocorre em um ambiente de polarização e desconfiança nas instituições. De um lado, Sánchez tenta consolidar a vantagem registrada na maior parte das atas já contabilizadas. De outro, Fujimori aposta no peso dos votos do exterior e na revisão das atas pendentes para tentar ultrapassar o adversário na contagem final.
Até a proclamação oficial, o resultado segue dependente da conclusão de todas as etapas previstas pela Justiça Eleitoral peruana, incluindo a análise das atas observadas, a incorporação dos votos externos e a validação definitiva dos registros contestados.



