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Com mais de 90% das urnas apuradas, Peru tem eleição apertada e imprevisível

Disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez segue indefinida

Com mais de 90% das urnas apuradas, Peru tem eleição apertada e imprevisível (Foto: Alessandro Cinque/Reuters)
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247 - Com mais de 90% das urnas apuradas, o Peru vive uma eleição presidencial apertada e imprevisível, com a conservadora Keiko Fujimori à frente por margem mínima sobre o deputado de esquerda Roberto Sánchez, em um cenário ainda tratado como indefinido pela autoridade eleitoral peruana. A disputa segue voto a voto, e o resultado oficial pode levar dias para ser confirmado.

Keiko Fujimori, filha do ex-ditador condenado Alberto Fujimori, já aparecia como favorita nas pesquisas de boca de urna. Na apuração parcial, ela registra 50,46% dos votos, enquanto Roberto Sánchez aparece com 49,91%. A diferença estreita mantém o quadro em empate técnico, especialmente porque Sánchez tem maior força em zonas eleitorais rurais e mais afastadas, que costumam estar entre as últimas áreas contabilizadas.

As seções eleitorais foram fechadas às 17h de domingo (7) no horário local, 19h em Brasília, após uma jornada sem maiores incidentes. O ambiente contrastou com o primeiro turno, marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude, em uma eleição que expôs novamente a instabilidade política do país.

No primeiro turno, Keiko Fujimori terminou em primeiro lugar, com 17,2% dos votos válidos. Roberto Sánchez avançou para a segunda etapa após obter 12% dos votos válidos. A disputa final, no entanto, ocorre em meio a um país politicamente fragmentado e com forte desgaste das instituições.

Eleição ocorre após primeiro turno fragmentado

O Peru foi às urnas em um cenário de ampla fragmentação partidária. Ao todo, 35 candidatos disputaram a Presidência no primeiro turno, um recorde para o país. Para Lucas Berti, cientista político, pesquisador sobre o Peru no Observatório Político Sul-Americano e coordenador-executivo do Grupo de Relações Internacionais e Sul Global, o quadro atual é resultado de um processo mais longo de deterioração institucional.

A instabilidade peruana se reflete no número de presidentes que passaram pelo poder nos últimos anos. O país teve nove presidentes em uma década, embora os mandatos presidenciais sejam de cinco anos. Em um cenário de estabilidade democrática, o Peru teria tido apenas dois chefes de Estado no mesmo período.

Crise institucional aprofunda disputa entre Executivo e Congresso

Um dos pontos centrais da crise política peruana está no artigo 113 da Constituição, que permite a queda de um presidente por “incapacidade moral ou física permanente”. A avaliação dessa condição cabe ao Congresso, o que, na prática, facilita processos de destituição em meio a disputas políticas.

Keiko Fujimori lidera a corrente fujimorista desde 2008, quando fundou o partido Fuerza Popular. Desde então, tenta chegar à Presidência, mas acumulou derrotas em segundos turnos anteriores.

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