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Em meio a pressão dos EUA, Colômbia elogia Pix e pede ao Brasil "que estenda o sistema"

Presidente colombiano elogia eficiência do Pix, critica sanções dos EUA e solicita integração do sistema brasileiro à Colômbia

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve encontro bilateral com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, e pediu que o Brasil amplie a ferramenta para seu país, em meio a críticas vindas dos Estados Unidos sobre o impacto do modelo no mercado financeiro global.

A manifestação foi feita em uma publicação nas redes sociais, na qual Petro comentou declarações atribuídas ao presidente norte-americano Donald Trump, que teria ameaçado impor sanções ao Brasil caso o Pix fosse mantido. O líder colombiano destacou a eficiência do sistema brasileiro e sugeriu sua adoção em território colombiano. “Peço ao Brasil que estenda o sistema Pix à Colômbia”, escreveu.

No mesmo posicionamento, Petro criticou duramente o funcionamento do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Tesouro dos Estados Unidos. Para ele, o instrumento deixou de cumprir seu papel original de combate ao narcotráfico e passou a ser utilizado como mecanismo de pressão política. Segundo o presidente colombiano, grandes líderes do tráfico conseguem contornar as sanções e viver no exterior com conforto, enquanto adversários políticos são alvos das medidas.

O chefe de Estado também defendeu mudanças na governança global, apontando a necessidade de maior equilíbrio nas decisões internacionais. Ao abordar conflitos armados, afirmou que guerras “não servem para nada” e resultam em prejuízos generalizados para a humanidade.

As declarações ocorrem em um cenário de crescente debate internacional sobre o Pix. Criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, o sistema se consolidou como um dos principais meios de pagamento no país e já é estudado como modelo para transações internacionais. Nos Estados Unidos, autoridades e representantes do setor financeiro demonstraram preocupação com possíveis impactos concorrenciais.

Documentos oficiais do governo norte-americano mencionam práticas consideradas desleais no setor de pagamentos eletrônicos, sem citar diretamente o Pix, mas fazendo referência a serviços digitais desenvolvidos pelo Estado brasileiro. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, haveria favorecimento a soluções nacionais em detrimento de fornecedores estrangeiros.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se pronunciou sobre o tema, defendendo o sistema. “O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, afirmou. Ele acrescentou que o governo pode trabalhar no aprimoramento da ferramenta para ampliar seu alcance e eficiência.

Enquanto isso, o Banco Central segue estudando a expansão do Pix, incluindo a possibilidade de integração com outros países, o que reforça o interesse internacional pelo modelo e amplia sua relevância no cenário financeiro global.

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