Equador expulsa embaixador de Cuba e missão diplomática
Alinhado aos EUA, governo de Daniel Noboa deu 48 horas para diplomatas deixarem o país após declarar embaixador persona non grata
247 - O governo do Equador determinou a expulsão do embaixador de Cuba em Quito, Basilio Gutiérrez, e de todos os integrantes da missão diplomática cubana no país. A decisão estabelece um prazo de 48 horas para que os diplomatas deixem o território equatoriano, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores. As informações são da AFP.
A medida ocorre em um momento de aproximação política entre Quito e Washington e antecede uma reunião prevista para sábado (7), em Miami, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras.
Embaixador cubano é declarado persona non grata
De acordo com o comunicado da chancelaria equatoriana, Basilio Gutiérrez foi declarado persona non grata, mecanismo previsto no direito diplomático internacional que permite a um país exigir a retirada de representantes estrangeiros.
Na nota oficial, o governo equatoriano informou que a decisão foi tomada com base na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. O tratado estabelece que um Estado pode declarar um integrante de uma missão diplomática persona non grata “a qualquer momento e sem ter que explicar os motivos da sua decisão”. Além do embaixador, a ordem de retirada inclui todos os funcionários da missão diplomática cubana que atuavam no país.
Movimentação diplomática também atingiu representação do Equador em Cuba
A decisão foi anunciada um dia após outra medida envolvendo as relações entre os dois países. O governo do presidente Daniel Noboa determinou a destituição do embaixador do Equador em Havana, José María Borja, de suas funções. O comunicado oficial não detalhou as razões para as decisões, que indicam um agravamento das tensões diplomáticas entre Quito e Havana.
Segurança reforçada na embaixada cubana
Após o anúncio da expulsão, foi registrada movimentação de forças de segurança nas proximidades da embaixada cubana em Quito. Um jornalista da agência AFP observou a presença de soldados e policiais fortemente armados do lado de fora do edifício diplomático. A presença dos agentes ocorreu enquanto diplomatas cubanos se preparavam para cumprir o prazo estipulado para deixar o país.
Aproximação entre Equador e Estados Unidos
A expulsão da missão cubana acontece em um contexto de fortalecimento das relações entre o Equador e os Estados Unidos. Desde que assumiu a presidência, em 2023, Daniel Noboa ampliou a cooperação com Washington em áreas como segurança e inteligência, especialmente no combate ao narcotráfico.
Nesse cenário, o governo Donald Trump tem adotado medidas mais duras contra Cuba, incluindo sanções econômicas e um embargo energético imposto no início do ano. Trump também afirmou no fim de fevereiro que considera uma “aquisição amigável” de Cuba. O presidente estadunidense classificou o país caribenho como uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos Estados Unidos.


