Equipe brasileira fala em "devastação" na Venezuela e "um ano ou mais" para reconstrução
Missão brasileira atua em buscas por sobreviventes após terremotos na Venezuela com cães farejadores, técnicos da Anatel e hospital de campanha
247 - A missão brasileira enviada à Venezuela intensificou as buscas por sobreviventes dos terremotos que devastaram o país e deixaram milhares de mortos, feridos e desabrigados. Com cães farejadores, bombeiros especializados, técnicos da Anatel e um hospital de campanha, a operação tem como prioridade localizar pessoas com vida sob os escombros.
Cerca de 130 agentes brasileiros estão em território venezuelano desde sexta-feira (26), atuando de forma integrada com equipes internacionais e autoridades locais para definir as áreas mais críticas de resgate. A mobilização ocorre em um momento considerado decisivo por especialistas, já que as primeiras horas após grandes desastres costumam concentrar as maiores chances de encontrar sobreviventes.
Em entrevista à GloboNews, o chefe da missão brasileira, Armin Braun, afirmou que o foco imediato das equipes é salvar vidas. “A prioridade é encontrar pessoas com vida nos escombros. Sempre que há algum indício de sobreviventes, iniciamos um trabalho cuidadoso para acessar a área, estabilizar as estruturas e realizar o resgate com segurança”, disse.
Braun explicou que a operação combina técnicas tradicionais de busca e salvamento com recursos tecnológicos. Além dos cães farejadores e dos bombeiros, especialistas da Anatel auxiliam na tentativa de localizar sinais de celulares que possam indicar a presença de vítimas soterradas. O trabalho exige cautela, já que estruturas instáveis podem colocar em risco tanto os sobreviventes quanto os profissionais envolvidos.
Embora as primeiras 72 horas sejam consideradas fundamentais em operações desse tipo, o chefe da missão brasileira ressaltou que ainda há possibilidade de encontrar pessoas vivas vários dias depois dos tremores. “Já acompanhamos casos de pessoas resgatadas após uma semana ou até dez dias. Se houver acesso à água, um espaço de sobrevivência sob os escombros ou boas condições físicas, as chances aumentam”, afirmou.
Além das buscas, o Brasil montou um hospital de campanha para atender vítimas dos terremotos, especialmente diante do colapso de unidades de saúde nas regiões mais afetadas. Aeronaves da Força Aérea Brasileira transportaram equipes médicas, equipamentos e estruturas de atendimento emergencial para apoiar a resposta humanitária.
Segundo Braun, toda a atuação brasileira é coordenada com o governo venezuelano, a Embaixada do Brasil e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Essas instituições definem as prioridades de atuação conforme a gravidade dos danos, o número de vítimas e as necessidades imediatas da população.
A resposta ao desastre deve ocorrer em diferentes fases. A primeira é a de busca e salvamento, voltada à localização de sobreviventes. Em seguida, os esforços passam a se concentrar no atendimento médico, no acolhimento de desabrigados e no restabelecimento de serviços essenciais, como energia, água, comunicação e saúde.
“Pela devastação que vimos, serão necessários alguns meses para restabelecer os serviços essenciais. Já a reconstrução da infraestrutura poderá levar um ano ou mais”, avaliou Braun.
A Venezuela foi atingida na noite de quarta-feira (24) por dois terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2, registrados com menos de um minuto de diferença. Os tremores provocaram destruição em Caracas e em outras cidades, com desabamentos de prédios, casas e estruturas públicas. Nas horas seguintes, ao menos 20 réplicas foram registradas pelo governo venezuelano.
As réplicas são tremores de menor intensidade que ocorrem após o abalo principal. Parte desses movimentos também foi sentida em cidades do Norte do Brasil, ampliando o alerta na região de fronteira.
O balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano no sábado (27) aponta 1.430 mortos, mais de 3mil feridos e 3,1 mil pessoas desabrigadas. Os números foram apresentados à imprensa estatal pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Organismos internacionais avaliam, porém, que o impacto da tragédia pode ser ainda maior. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimam que o número de vítimas deve aumentar devido à intensidade dos terremotos, aos danos na infraestrutura e à elevada concentração populacional nas áreas atingidas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência ligada à ONU, calcula que cerca de 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos tremores, das quais aproximadamente 2 milhões estão na região de Caracas. Já o OCHA estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.



