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Escritores cubanos convocam a solidariedade de intelectuais e artistas do mundo

Documento de intelectuais cubanos condena o bloqueio dos EUA e pede mobilização internacional

Bandeira de Cuba (Foto: Juvenal Balán/Granma)

247 - A União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC) lançou um apelo internacional convocando intelectuais, artistas e criadores de todo o mundo a se mobilizarem em defesa da ilha diante da agressão desumana dos Estados Unidos contra o país. O documento destaca que Cuba enfrenta um recrudescimento das sanções impostas pelos Estados Unidos e conclama à solidariedade ativa para impedir a tentativa de asfixia econômica e social.O texto foi compartilhado nesta segunda-feira pelo jornal mexicano La Jornada, que divulgou a íntegra da convocação e informou que os interessados podem aderir enviando mensagem para o e-mail oficina.presidencia@uneac.co.cu, com o assunto “Cuba não é uma ameaça”.

Logo no início, a UNEAC evoca o pensamento de José Martí para reforçar o chamado à mobilização. “Como Martí definiu em 1895, ao escrever sobre nosso dever na América: ‘Quem se levanta hoje por Cuba, se levanta para sempre’”, afirma o documento. A organização declara que a ilha “está resistindo e continuará a resistir a esta agressão desumana, mas conta com a solidariedade ativa de todos os homens e mulheres honestos, humanistas e bem-intencionados do mundo. O objetivo é impedir um ato genocida e salvar um povo heróico cujo único ‘crime e ameaça’ foi defender a sua soberania”.

A entidade sustenta que Cuba não representa risco para outras nações. “Cuba nunca atacou nenhuma nação. Cuba pratica a solidariedade internacional mesmo sob condições de bloqueio extremo. Apoiar Cuba hoje é defender a paz e o direito de todos os povos, por menores que sejam, ao pleno exercício de sua soberania.”

O apelo também contextualiza a trajetória histórica do país, destacando que a resistência atual está ligada a um longo processo de lutas pela independência. Segundo o texto, a população cubana enfrentou séculos de confrontos, primeiro para conquistar a soberania e, depois, para preservá-la diante do “império mais poderoso e predatório da história da humanidade”. Essa resistência, afirma, foi construída “através do imenso sacrifício do seu povo”.

Ao citar novamente José Martí, a UNEAC recupera uma advertência do líder cubano: “José Martí, o grande poeta e patriota, definiu nosso nobre destino em 1894: ‘No coração da América estão as Antilhas, que, se escravizadas, seriam um mero pontão para a guerra de uma república imperial.’”

O documento destaca ainda os avanços sociais alcançados pelo país nas últimas décadas. “A maior riqueza de Cuba reside em seu povo. Não possuímos reservas de petróleo ou outros recursos naturais altamente cobiçados, mas desenvolvemos um capital humano capaz de moldar a resiliência por meio da criatividade e do conhecimento.”

A UNEAC afirma que o país “não promove o terrorismo, embora tenhamos sido vítimas dele” e reforça que valoriza a paz associada à independência nacional. “Sempre nos esforçamos para construir uma sociedade justa e equitativa. Erradicamos o analfabetismo e reduzimos a mortalidade infantil e materna a níveis comparáveis aos do mundo desenvolvido. Enviamos médicos e professores para outras nações enquanto outras apenas lançam bombas.”

Entre os pontos ressaltados estão a produção e distribuição gratuita de vacinas, a promoção do esporte como direito social e o desempenho olímpico. “Criamos vacinas que são distribuídas gratuitamente. Promovemos o esporte como um direito do povo e somos o país de língua espanhola que conquistou o maior número de medalhas na história dos Jogos Olímpicos.”

No campo cultural, o texto enfatiza a existência de um sistema gratuito de formação artística. “Temos um amplo sistema gratuito de escolas de arte, onde dançarinos, atores, pintores, cineastas, músicos foram formados... muitos de origens humildes; que geraram um poderoso movimento artístico, reconhecido internacionalmente.”

A UNEAC relembra ainda o período posterior à Revolução de 1959, destacando que Fidel Castro estabeleceu a meta de elevar o nível cultural da população e combater desigualdades estruturais. “Desde o triunfo revolucionário de 1959, aspiramos alcançar o mais alto nível cultural para o nosso povo. Fidel nos provou que o analfabetismo podia ser eliminado e que devemos lutar para erradicar o racismo e a discriminação em todas as suas formas, através de um quadro de leis e de uma vigilância ativa. Fizemos progressos na integração e na defesa dos direitos das nossas mulheres, que agora são parlamentares, executivas e profissionais em pé de igualdade com os homens.”

O documento menciona também a aprovação de um novo marco legal: “Aprovamos um Código da Família avançado que protege o amor em suas diversas formas de existência.”

Ao abordar o cenário econômico, a UNEAC responsabiliza o bloqueio imposto pelos Estados Unidos desde 1962 pelas dificuldades enfrentadas pela população. Segundo o texto, as sanções foram intensificadas ao longo dos anos, culminando em medidas mais duras implementadas pelo atual governo americano. “Apesar do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos desde 1962, que foi sucessivamente intensificado, culminando na asfixia implementada pelo atual governo americano, não desistimos de nossos sonhos de prosperidade, justiça e paz.”

A organização afirma que o custo da resistência é elevado. “A resistência nos custa caro e impõe grandes sacrifícios ao nosso povo todos os dias, e significa enfrentar com estoicismo a crueldade das medidas extraterritoriais do governo dos EUA.”

Por fim, o texto critica a justificativa de Washington de que Cuba representaria ameaça à segurança nacional norte-americana. “O império afirma que Cuba representa uma ameaça à sua segurança nacional, o que é ridículo e implausível. Decretou um bloqueio petrolífero, com a consequente paralisação de hospitais, escolas, indústrias e transportes. Estão tentando impedir que nossos médicos salvem vidas; estão tentando paralisar nosso sistema de educação gratuito e universal, mergulhar-nos na fome, na falta de energia para garantir o acesso à água potável, para cozinhar alimentos; em suma, pretendem extinguir lenta e cruelmente um país.”

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