EUA ameaçam Peru por possível pausa na compra de caças
Ameaças estadunidenses foram feitas após o governo interino avaliar adiar compra de aviões de combate
247 - Os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre o Peru após o governo interino sinalizar que pode adiar a compra de aviões de combate. A decisão, ainda em análise, envolve a renovação da frota da Força Aérea do país e pode ser transferida para a próxima gestão, o que já provocou reação direta de Washington.
Segundo a coluna da jornalista Luciana Taddeo, da CNN Brasil, o embaixador estadunidense no Peru, Bernie Navarro, fez um alerta público ao presidente interino José María Balcázar. “Se negociarem de má-fé com os EUA e prejudicarem os interesses norte-americanos, tenham certeza de que, como representante da administração Trump, utilizarei todas as ferramentas disponíveis para proteger e promover a prosperidade e a segurança do nosso país e da região”, postou Navarro na rede social X, antigo Twitter.
Governo interino avalia impacto financeiro
José María Balcázar, que assumiu o cargo em fevereiro após a destituição de José Jerí, afirmou que ainda está analisando o tema. O presidente interino indicou que pretende discutir a questão com ministros antes de tomar uma decisão definitiva.
Em entrevista à rádio Exitosa, Balcázar destacou o peso econômico da aquisição. “Meu governo é transitório e termina em julho. Acho que deveríamos deixar [a decisão] para o novo governo, após a eleição e [conforme] a vontade dos cidadãos”, afirmou. A compra dos caças, segundo ele, representaria um endividamento elevado para o país, o que reforça a cautela na condução do processo.
Negociação envolve 24 aviões de combate
O plano do Peru prevê a aquisição de 24 aeronaves militares para modernizar a Força Aérea. A expectativa inicial era de que o país optasse pelos caças F-16, fabricados nos Estados Unidos, mas nenhuma escolha oficial foi confirmada até o momento.
O processo de compra teve início durante o governo da ex-presidente Dina Boluarte, destituída em outubro do ano passado. Em março, o governo peruano informou, por meio de comunicado, que a negociação ainda não estava concluída.
Tensão diplomática em meio à transição
A reação dos Estados Unidos ocorre em um momento de transição política no Peru, com a posse de um novo governo prevista para 28 de julho. A pressão externa evidencia o peso estratégico da negociação e seus impactos na relação bilateral.
O episódio também destaca o interesse dos Estados Unidos em manter influência sobre decisões militares na região, especialmente em contratos de grande valor envolvendo equipamentos de defesa.


