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Primeiro caça supersônico produzido no Brasil é apresentado pela Embraer

Modelo F-39E marca avanço tecnológico da FAB e consolida transferência de tecnologia com a Saab no país

Primeiro caça supersônico brasileiro (Foto: Sargento Muller FAB)

247 - A indústria aeronáutica brasileira alcança um novo marco com a apresentação do primeiro caça supersônico F-39E Gripen montado em território nacional. Desenvolvido pela Embraer em parceria com a empresa sueca Saab, o modelo representa um salto tecnológico na defesa aérea e integra o programa de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB).

De acordo com informações publicadas pelo G1, a aeronave foi apresentada nesta quarta-feira (25) em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, consolidando o Brasil como um dos poucos países com capacidade de participar da produção de caças de alta tecnologia.

O Gripen é equipado com sistemas avançados de combate e pode operar em diferentes cenários, incluindo missões de defesa, reconhecimento e ataque. Entre os armamentos disponíveis estão o míssil Meteor — considerado um dos mais letais da atualidade — e um canhão integrado. Em novembro de 2025, a FAB realizou o primeiro lançamento do Meteor a partir do F-39E.

O projeto faz parte de um acordo firmado em 2014 entre o Brasil e a Saab, que prevê a aquisição de 36 aeronaves por cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 21,25 bilhões). Parte desses caças será produzida no país, com participação direta de engenheiros brasileiros e transferência de tecnologia da empresa sueca.

O novo modelo substitui os antigos caças F-5, de origem americana, que estavam em operação há décadas. Com capacidade de atingir velocidades de até 2,4 mil km/h — cerca de duas vezes a velocidade do som — o Gripen possui autonomia de até duas horas e meia de voo, além de contar com reabastecimento em pleno ar, ampliando seu alcance operacional.

Em fevereiro deste ano, a aeronave entrou em alerta de defesa aérea pela primeira vez no Brasil, passando a estar apta para missões reais e responsável pela proteção do espaço aéreo da capital federal.

Segundo a FAB, a fabricação do Gripen no país consolida o Brasil como um polo de alta tecnologia. Mais de 300 engenheiros brasileiros participaram do desenvolvimento do projeto e de treinamentos na Suécia, enquanto a cadeia produtiva já gerou mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil postos de trabalho.

O caça também se destaca por um conjunto robusto de sistemas embarcados. Entre eles estão sensores de alerta de radar (RWR), sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM) e alertas de aproximação de mísseis (MAWS), que ampliam a capacidade de sobrevivência em combate. O modelo conta ainda com recursos de compartilhamento de dados em tempo real, permitindo decisões rápidas em cenários operacionais.

Outros diferenciais incluem capacidade de guerra eletrônica com interferência em sistemas inimigos, suporte a operações em solo, inteligência e vigilância com cobertura de sensores em 360 graus e identificação de forças amigas e inimigas. O Gripen também utiliza armamentos modernos como o míssil IRIS-T, além de dispositivos de autoproteção como chaff e flare, que confundem mísseis guiados por radar e infravermelho.

A apresentação do primeiro modelo produzido no Brasil reforça a estratégia de autonomia tecnológica e industrial no setor de defesa, além de posicionar o país em um patamar mais elevado na indústria aeroespacial global.

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