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Brasil lança caça supersônico Gripen F-39E nesta quarta

Aeronave marca avanço estratégico na indústria de defesa e consolida transferência tecnológica ao país

Caça F-39E Gripen da FAB 23/10/2020 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nesta quarta-feira (25), em São Paulo, da cerimônia que marca o lançamento oficial do primeiro caça supersônico totalmente fabricado no Brasil. A aeronave, o Gripen F-39E, representa um passo decisivo na consolidação da autonomia tecnológica nacional no setor de defesa.

O projeto é resultado de um acordo firmado em 2013 entre o governo brasileiro e a empresa sueca Saab, no valor aproximado de US$ 4 bilhões. O contrato previa a aquisição de 36 aeronaves e, sobretudo, a transferência de tecnologia para a Força Aérea Brasileira (FAB) e para a Embraer, condição determinante para a escolha da empresa europeia na concorrência internacional.

Diferentemente de outras propostas apresentadas à época, o modelo adotado permitiu a participação direta de engenheiros brasileiros desde as fases iniciais do desenvolvimento do caça, ainda em estágio de concepção. Esse processo garantiu ao país acesso a tecnologias avançadas e domínio de etapas relevantes da cadeia produtiva.

Componentes essenciais do Gripen F-39E passaram a ser desenvolvidos no Brasil, como a fuselagem dianteira e traseira, o cone de cauda, o sistema de frenagem e instrumentos da cabine de comando. Parte das aeronaves adquiridas também foi produzida em território nacional, consolidando a transferência efetiva de conhecimento e capacidade industrial.

Na avaliação da Força Aérea Brasileira, o lançamento do caça insere o Brasil em um grupo restrito de países com domínio de tecnologias estratégicas para defesa. Além de ampliar a autonomia do país, o projeto contribui para a formação de profissionais altamente qualificados e fortalece a indústria nacional.

O gerente do Projeto F-X2, coronel aviador Claucio Oliveira Marques, destacou a continuidade dos impactos gerados pela iniciativa. “Há toda uma estrutura ligada à produção dos caças. Ou seja, não é algo que, após a produção, será desmobilizado, mas, sim, será perene”, afirmou.

O avanço ocorre em um cenário de expansão da Base Industrial de Defesa (BID), que reúne empresas responsáveis pela produção de equipamentos estratégicos. O setor tem registrado resultados expressivos nos últimos anos, com crescimento nas exportações e diversificação do portfólio de produtos.

Durante evento recente, o ministro da Defesa, José Múrcio, ressaltou o desempenho da área. “Um setor que, nos últimos três anos, se destaca por sucessivos resultados positivos em termos comerciais de seus produtos, inclusive, com dois recordes seguidos, em 2024 e 2025, quando superamos, nesse último ano, a marca de US$ 3,4 bilhões em exportações autorizadas. Um grande feito”, declarou.

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