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LATAM aposta em crescimento disciplinado e alerta para impacto da reforma tributária

Companhia aérea prepara chegada de aviões Embraer E2 e diz que aumento de impostos pode reduzir demanda por viagens no Brasil

LATAM Brasil reduziu mais de 46,2 mil toneladas de CO2 no primeiro semestre de 2025 graças a ações voluntárias de otimização operacional (Foto: Divulgação LATAM)

247 - A LATAM Airlines Brasil planeja expandir suas operações de forma gradual e financeiramente sustentável, ao mesmo tempo em que ajusta sua capacidade doméstica e sua estratégia de rotas no país. A empresa também manifestou preocupação com possíveis efeitos da reforma tributária em discussão no Brasil, que pode encarecer passagens aéreas e reduzir a demanda por voos.

As informações foram divulgadas pelo portal especializado Aviation Week Network, que acompanhou as declarações do CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, durante o evento Routes Americas 2026, realizado no Rio de Janeiro.

Cadier afirmou que a companhia deve receber, no último trimestre deste ano, o primeiro avião Embraer E2 de uma encomenda feita em 2025. Segundo ele, entre 12 e 14 aeronaves desse modelo deverão ser entregues até 2027.

“No início, será principalmente no mercado doméstico”, afirmou o executivo. “A aeronave se encaixa perfeitamente no Brasil”.

Os novos aviões, de menor capacidade em comparação com modelos da família Airbus A320, devem permitir maior flexibilidade operacional à companhia. Com isso, a LATAM pretende ampliar frequências e explorar rotas com menor demanda, que não comportariam aeronaves maiores.

A companhia indicou que as novas aeronaves deverão operar a partir dos aeroportos de São Paulo/Guarulhos, Brasília e Fortaleza, considerados centros estratégicos da sua malha aérea no país.

Crescimento alinhado à demanda

A LATAM Brasil afirma que pretende manter uma expansão anual entre 8% e 10%. De acordo com Cadier, a estratégia busca equilibrar crescimento e rentabilidade, evitando a expansão acelerada que marcou ciclos anteriores da aviação brasileira.

“Precisamos garantir que o crescimento seja lucrativo”, declarou o executivo.

Cadier observou que o setor aéreo doméstico brasileiro entrou em uma fase mais estável após processos de reestruturação enfrentados por grandes companhias do país nos últimos anos.

“A principal característica do mercado brasileiro hoje é uma capacidade mais racional”, disse. Segundo ele, a experiência de reestruturação financeira levou as empresas do setor a adotar maior cautela na expansão.

“Depois que todo mundo experimenta o que é o Chapter 11, você se torna um pouco mais racional e cauteloso em relação a comprometer-se demais com crescimento”, afirmou.

Expansão internacional a partir de Guarulhos

Paralelamente aos ajustes no mercado doméstico, a LATAM também busca fortalecer o aeroporto de São Paulo/Guarulhos como seu principal hub internacional.

A estratégia inclui concentrar conexões entre voos domésticos e internacionais para ampliar a integração da rede da companhia na América do Sul.

Em novembro, a empresa anunciou sete novas rotas previstas para 2026. Entre elas estão voos intercontinentais para Amsterdã, Bruxelas e Cidade do Cabo, além de quatro novos destinos domésticos: Caldas Novas (GO), Campina Grande (PB), Juiz de Fora (MG) e Uberaba (MG).

Reforma tributária preocupa setor

Apesar das perspectivas de expansão, Cadier alertou para possíveis impactos negativos da reforma tributária que está em discussão no país.

Segundo ele, mudanças que elevem impostos sobre passagens aéreas podem reduzir significativamente a demanda por viagens.

“Quando tributamos o bilhete, tornamos a viagem menos provável”, afirmou.

Entidades do setor aéreo, como a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), já alertaram que o aumento de tributos sobre passagens pode reduzir em até 30% a demanda por transporte aéreo no Brasil, ao elevar os preços para os passageiros.

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