Ex-presidente Luis Arce se declara preso político na Bolívia
Luís Arce afirma ser preso político na Bolívia e denuncia violações de direitos, perseguição judicial e riscos à sua saúde na prisão
247 - O ex-presidente da Bolívia Luis Arce afirmou ser um preso político e denunciou violações de direitos, perseguição judicial e riscos à sua saúde durante sua detenção em La Paz. Em carta divulgada nesta segunda-feira (6), ele acusou o governo e o sistema judicial boliviano de atuarem para comprometer sua integridade e sua trajetória política.
Segundo informações divulgadas pela Telesur, Arce está preso há quatro meses e atribui sua situação ao governo de Rodrigo Paz, a quem acusa de promover ações que ferem garantias constitucionais e o Estado de Direito no país.
De acordo com o ex-mandatário, sua prisão ocorreu em 10 de dezembro de 2025 sem respaldo legal. “Fui privado da minha liberdade em 10 de dezembro de 2025, sem um mandado de prisão legal, num ato arbitrário que só pode ser descrito como um sequestro ilegal”, declarou.
Arce também afirmou que vem enfrentando sucessivas negativas judiciais em relação aos pedidos apresentados por sua defesa. “No âmbito do processo instaurado contra mim pelo governo de Rodrigo Paz, todos os pedidos apresentados pela minha defesa foram rejeitados, incluindo o recente pedido para me submeter a exames médicos exigidos por um cardiologista”, escreveu.
O ex-presidente alertou ainda para o impacto dessas decisões sobre sua saúde e segurança. “Colocando em risco a minha saúde e integridade física, além de violar os meus direitos”, acrescentou.
Na carta, Arce denunciou as “graves violações de direitos humanos”, destacando práticas que incluem tortura psicológica e desrespeito ao devido processo legal. Ele afirmou que há “violação do devido processo legal, da presunção de inocência e do direito à defesa, bem como das garantias de imparcialidade e segurança jurídica”.
O ex-presidente também relatou condições precárias no início de sua detenção. Segundo ele, foi mantido “em uma cela que não oferecia condições mínimas de vida” nos primeiros dias após a prisão.
Outro ponto destacado foi a exposição constante dentro da prisão. Arce afirmou que é fotografado e filmado durante atividades no pátio e visitas, o que considera uma forma de pressão psicológica. Para ele, essa prática configura “tortura psicológica”.
Ao reforçar sua defesa, Arce negou qualquer irregularidade durante sua trajetória política. “Eu não roubei, não menti, não matei. O que eles estão fazendo é vingança. Exijo respeito ao devido processo legal, sem pressão política ou instruções do governo”, afirmou.
Luis Arce deixou a presidência da Bolívia em novembro de 2025, após a posse de Rodrigo Paz, encerrando um ciclo de quase duas décadas de governos ligados ao Movimento para o Socialismo (MAS).


