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Flotilha Global Sumud denuncia 'censura e perseguição política' contra Thiago Ávila e faz críticas aos EUA, a Israel e a Milei

Conforme a entidade, detenção do ativista pelo governo argentino 'viola garantias políticas' e visa 'criminalizar a militância organizada'

Thiago Ávila (Foto: Reprodução Youtube)

247 - Um dos principais nomes da Global Sumud Flotilla, o brasileiro Thiago Ávila foi detido no Aeroporto Internacional Jorge Newbery, em Buenos Aires, impedido de entrar na Argentina e separado de sua esposa e filha. A iniciativa internacional, formada por ativistas de mais de 40 países, denunciou o episódio como um ato de perseguição política motivado pelo ativismo de Ávila em defesa dos direitos do povo palestino. As informações foram divulgadas pela própria Global Sumud Flotilla.

Em um comunicado, a Global Sumud criticou a aliança do presidente ultradireitista argentino, Javier Milei, com o governo Donald Trump (EUA) e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciado no Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo crime de genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza. 

Ainda segundo a Global Sumud, "a proibição não se deve a motivos administrativos, mas trata-se de uma decisão política emanada das mais altas esferas governamentais, tomada pelos responsáveis executivos do autodenominado 'governo mais sionista da história', decidido a estigmatizar e criminalizar a militância organizada, tanto nacional quanto internacional". 

Para a entidade, o episódio "não apenas constitui um grave caso de censura e viola os direitos e garantias políticas mais elementares, como também confirma o caráter antinacional do governo liberal-libertário e seu sequestro pelos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e do Estado de Israel".

Críticas à extrema direita

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O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente da Argentina, Javier Milei, na Casa Branca em Washington, DC, EUA, em 14 de outubro de 2025. Foto: Jonathan Ernst/Reuters

O caso ocorre no contexto do governo do presidente argentino Javier Milei, figura da ultradireita e aliado declarado tanto de Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — quanto do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, denunciado pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.

A Global Sumud Flotilla também destacou que a detenção de Ávila na Argentina não foi um caso isolado. Poucos dias antes, o ativista havia sido retido por longo período no Aeroporto de Tocumen, no Panamá. 

Para a organização, "outros governos de extrema direita da região também têm assediado Ávila recentemente", em referência direta ao episódio panamenho. A entidade ressaltou que o coordenador "é mundialmente conhecido por seu impulso a iniciativas de caráter humanitário, internacionalista e não violento, como o Comboio Nossa América, que há poucos dias navegou em direção a Cuba, ou as próprias flotilhas que há muitos anos buscam romper o bloqueio ilegal sobre Gaza".

Benjamin Netanyahu em Jerusalém
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém. Foto: Ronen Zvul/Reuters

Mudanças na agenda

Ávila havia sido convidado por organizações sociais, partidos políticos, sindicatos e movimentos estudantis argentinos para uma série de atividades em Buenos Aires. Entre os compromissos previstos estavam uma coletiva de imprensa na sede da ATE Capital, o lançamento do capítulo local da Global Sumud Flotilla na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires (UBA), entrevistas a veículos de comunicação e reuniões com representantes do movimento social e parlamentar argentino.

Com a detenção do coordenador, o Comitê Argentina da Global Sumud Flotilla suspendeu a coletiva inicialmente marcada para às 15h do dia da detenção. Em nota, a entidade informou que "realizaremos uma nova coletiva amanhã, quarta-feira, às 18h, no Auditório 250 da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA".

Além de seu trabalho pela causa palestina, Ávila também integra a missão Flotilha a Cuba, iniciativa que reuniu ativistas internacionais para levar doações à ilha caribenha, alvo do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.

O que é a Global Sumud Flotilla

A própria organização se define, em seu site oficial, como "uma poderosa frota não violenta de embarcações de pequeno e médio porte que parte de portos de todo o Mediterrâneo com uma missão compartilhada: desafiar o bloqueio ilegal de Israel sobre Gaza e entregar uma mensagem de solidariedade ao seu povo". 

A entidade se apresenta como uma coalizão de defensores dos direitos humanos, ativistas pela paz, médicos, professores, estudantes e líderes comunitários de mais de 40 países, "enraizada no espírito do sumud — palavra árabe que significa resiliência inabalável". Apesar das tentativas de barrar suas atividades, a organização reafirmou seu compromisso com a próxima missão, prevista para o dia 12 de abril. 

"A Global Sumud Flotilla não se deterá diante deste nem de qualquer outro ato de censura e intimidação, e reafirma seu compromisso de voltar a navegar no dia 12 de abril com mais de 100 embarcações que partirão do Mediterrâneo e levarão ajuda humanitária, pessoal médico, educadoras, bioconstrutores e ativistas, com a decisão inabalável de romper o infame e ilegal bloqueio de Gaza e de acompanhar uma reconstrução conduzida de forma autônoma pela própria população civil palestina", concluiu a entidade em seu comunicado.

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