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Forças dos EUA mataram funcionários de Maduro "a sangue frio"

Segundo o ministro da Defesa da Venezuela, militares e civis inocentes foram mortos pelo Exército dos Estados Unidos

Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/X/@RapidResponse47)

247 - Denúncia feita pelo governo venezuelano elevou ainda mais a tensão internacional após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território da Venezuela. Segundo o ministro da Defesa do país, Vladimir Padrino López, militares norte-americanos mataram "a sangue frio" integrantes da equipe de segurança presidencial e funcionários civis durante a ação que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com informações divulgadas originalmente pela agência Sputnik International, Padrino López afirmou que a ofensiva de sábado (3) envolveu o uso de força letal contra militares e civis que protegiam o chefe de Estado venezuelano. A operação foi classificada pelo governo de Caracas como um sequestro realizado por forças estrangeiras.

Em pronunciamento oficial à nação, o ministro foi enfático ao condenar a ação. “As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas rejeitam firmemente o covarde sequestro do cidadão Nicolás Maduro Moros, residente constitucional da República Bolivariana da Venezuela e nosso comandante-em-chefe, assim como de sua esposa, a primeira-dama, doutora Cilia Flores de Maduro”, declarou. Segundo ele, “o crime foi cometido ontem, sábado, 3 de janeiro, depois que uma parte significativa de sua equipe de segurança — militares e civis inocentes — foi assassinada a sangue frio”.

No mesmo dia, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou publicamente que Washington havia realizado um ataque de grande escala contra a Venezuela, sequestrando Maduro e sua esposa e retirando-os do país. Relatos da imprensa internacional mencionaram explosões em Caracas, atribuídas a uma operação conduzida por unidades da Delta Force. O jornal The New York Times, citando um alto funcionário venezuelano, informou que ao menos 40 pessoas morreram, entre militares e civis.

As autoridades venezuelanas declararam não ter informações sobre o paradeiro do presidente e exigiram provas de que ele estaria vivo. Posteriormente, Trump divulgou uma imagem que, segundo ele, mostraria Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima. Veículos de comunicação dos Estados Unidos também transmitiram imagens de um avião pousando no estado de Nova York, do qual Maduro e Cilia Flores teriam desembarcado escoltados por dezenas de agentes de segurança.

A operação provocou forte reação política dentro dos próprios Estados Unidos. Parlamentares norte-americanos classificaram a ação como ilegal, enquanto o governo indicou que Maduro seria submetido a julgamento. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela anunciou que levaria o caso a organismos internacionais e solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, marcada para o dia 5 de janeiro.

A ofensiva também gerou manifestações de solidariedade internacional. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou profunda preocupação com a retirada forçada do presidente venezuelano e de sua esposa durante o que classificou como agressão dos Estados Unidos. Moscou exigiu a libertação imediata do casal e defendeu medidas para evitar uma escalada ainda maior em torno da Venezuela.

Além disso, o Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas divulgou uma nota condenando de forma “inequívoca e categórica” o ataque contra a República Bolivariana da Venezuela, reforçando o entendimento de que a operação violou princípios fundamentais do direito internacional e da soberania dos Estados.

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